Presidência timorense quer que missão da CPLP a Bissau "se realize rapidamente"

A presidência da CPLP assumida por Timor-Leste na sequência da suspensão da Guiné-Bissau quer que a missão a este país "se realize rapidamente", disse o chefe da diplomacia timorense, mostrando-se esperançado que a visita possa acontecer em fevereiro.

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Em entrevista à Lusa, no final da visita de uma semana a Portugal, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Timor-Leste, Bendito dos Santos Freitas, disse, por outro lado, que a presidência da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) deverá acrescentar ao tema da segurança alimentar, definido pela Guiné-Bissau para o mandato de dois anos, a economia azul e o mar e a paz e segurança.

"Estamos a tratar isto com caráter urgente e vamos levar ao Conselho de Ministros, em Díli, para aprovação final", disse o chefe da diplomacia timorense, referindo-se à necessidade de liderar os programas e iniciativas da CPLP, no seguimento da suspensão temporária da Guiné-Bissau, devido ao golpe de Estado de 26 de novembro do ano passado.

Sobre a missão da CPLP a Bissau, Bendito dos Santos Freitas explicou que a ideia inicial, apresentada no encontro dos líderes lusófonos, em meados de dezembro, era que fosse o chefe de Estado timorense a liderar a delegação, mas agora a ideia é que um membro do Governo tenha o estatuto de enviado especial e que Angola e São Tomé e Príncipe participem na missão.

"Na reunião de 16 de dezembro decidiu-se por uma missão de alto nível, os chefes de Estado apoiaram muito o nome do Presidente de Timor-Leste para liderar esta missão. No entanto, depois de discussões minuciosas com o PR, devido a agendas inadiáveis, houve uma proposta sobre a possibilidade de elevar o estatuto de um membro do Governo a enviado especial, juntando Angola e São Tomé e Príncipe, para que a missão se realize rapidamente", disse o governante timorense.

Esta decisão, apontou ainda, "deve ser discutida e deverá haver uma nomeação por cada Estado-membro [envolvido], temos de coordenar porque o assunto é prioritário e temos de preparar as condições possíveis para que não demore", acrescentou, mostrando-se esperançado que a visita possa realizar-se em fevereiro, mas salvaguardando que as consultas entre os vários países ainda decorrem.

"Queremos que a nossa presidência seja uma presidência de qualidade, e estamos a trabalhar com toda a equipa de embaixadores e representantes permanentes para definir a comunicação, os assuntos temáticos, os ministérios, os pontos focais, e, tendo em conta que a CPLP celebra este ano o 30.º aniversário, é um momento histórico", concluiu.

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Timor-Leste, Bendito Freitas, iniciou no passado dia 15 uma visita de trabalho de uma semana a Portugal, que hoje termina, para discutir a presidência timorense da CPLP e a situação na Guiné-Bissau, tendo-se reunido, nomeadamente, com a secretária-executiva da CPLP, Maria de Fátima Jardim, e com o seu homólogo português, Paulo Rangel.

No dia 26 de novembro, um dia antes da divulgação dos resultados provisórios das eleições presidenciais e legislativas, os militares depuseram Umaro Sissoco Embaló, que estava no poder na Guiné-Bissau desde 2020, e suspenderam o processo eleitoral.

O candidato da oposição, Fernando Dias da Costa, que reivindica a vitória, refugiou-se na Embaixada da Nigéria em Bissau, apontando o golpe como uma orquestração de Embaló para impedir a divulgação dos resultados eleitorais.

O líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, está detido e incomunicável desde o dia do golpe, sem que lhe tenham sido apresentadas quaisquer acusações, tendo sido igualmente denunciadas as detenções do advogado Augusto Nasambe e de jovens ativistas, mas desconhece-se o número exato de detidos, já que tem sido negado o acesso de advogados e de organizações não governamentais.

No passado dia 08, três políticos detidos na sequência do golpe militar de 26 de novembro foram libertados, seguindo-se aos seis, nomeadamente elementos do corpo de segurança e motoristas dos políticos, que haviam sido libertados a 23 de dezembro.

A libertação de todos os detidos tem sido uma das condições colocadas pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e pela CPLP para o levantamento da suspensão da Guiné-Bissau desses organismos.

Integram a CPLP Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau (suspensa), Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

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