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Presidenciais na Roménia. "Trumpista" de extrema-direita vence primeira volta
Chama-se George Simion, é o candidato da Aliança para a União dos Romenos, de extrema-direita, e venceu a primeira volta das presidenciais na Roménia ao conquistar 41 por cento dos votos. O eurocético de extrema-direita, se vencer a segunda volta, pode isolar a Roménia e desestabilizar o flanco leste da NATO onde a Ucrânia luta contra uma invasão russa que já dura três anos, avisam observadores políticos.
Contados todos os votos, Simion deixou em segundo lugar, com cerca de 21 por cento dos votos, o autarca de Bucareste, Nicushór Dan, candidato independente, pró-europeu e com uma agenda anti-corrupção.
A diferença de 20 por cento entre ambos, nesta primeira volta, mostra como a votação é um teste para perceber a ascensão do nacionalismo ao estilo de Donald Trump na União Europeia.
"Somos um partido trumpista que governará a Roménia e fará da Roménia um parceiro forte na NATO e um forte aliado dos Estados Unidos", garantiu Simion em declarações à imprensa internacional poucos momentos antes de encerrarem as secções de voto.
Com 38 anos, o candidato romeno de extrema-direita garantiu a vitória em 36 dos 47 distritos eleitorais romenos e arrecadou 61 por cento dos votos da diáspora romena.
George Simion opõe-se à ajuda militar à vizinha Ucrânia, critica a liderança da União Europeia e afirma estar alinhado com o movimento Make America Great Again, do presidente dos EUA.
A "nossa tarefa é convencer os romenos de que a Roménia precisa de seguir a direção pró-Ocidente e é nisso que a nossa campanha se concentrará” nas próximas duas semanas.
Beneficiando de uma onda de revolta popular contra os principais líderes romenos, a vitória de George Simion, na primeira volta, mostra que "a Roménia agora pode mudar o equilíbrio de poder na Europa para o extremismo", avisa o cientista político Cristian Pirvulescu, citado pela agência Reuters.
Se a vitória da extrema-direita romena for confirmada na segunda volta vão passar a ser três os líderes eurocéticos na UE, que já inclui os primeiros-ministros húngaro e eslovaco. Numa altura em que a Europa tenta encontrar uma voz única em resposta a Trump.
Georgescu, que está atualmente a ser investigado por ações contra a ordem constitucional, venceu as eleições de novembro. No entanto, o sufrágio foi anulado por suspeitas de interferência russa na campanha.