Presidente argentino visita China e Rússia para reforçar relações comerciais
O Presidente da Argentina, Alberto Fernández, vai reunir-se com os seus homólogos da China e da Rússia, Xi Jinping e Vladimir Putin, procurando reforçar as relações comerciais num momento de extrema necessidade de financiamento para o país sul-americano.
Acompanhado, entre outros, do ministro dos Negócios Estrangeiros, Santiago Cafiero, e do ministro da Economia, Martin Guzmán, o chefe de Estado chegou hoje a Moscovo, primeira etapa da viagem.
A viagem, sobre a qual a Amnistia Internacional (AI) enviou uma carta a Alberto Fernández para expressar as suas "preocupações" pela "grave situação dos direitos humanos" na Rússia e na China, ocorre no meio de uma crise interna da coligação no poder.
De maioria e com grande peso do kirchnerismo, a coligação está em risco depois de Máximo Kirchner, filho da ex-Presidente Cristina Kirchner (2007-2015), atual vice-presidente, renunciar à liderança do grupo no parlamento.
O motivo, como adiantou, é a divergência com o acordo feito com o fundo Monetário Internacional (FMI) para refinanciar um empréstimo milionário concedido em 2018 durante o mandato de Mauricio Macri (2015-2019), que considera prejudicial para o país.
O chefe de Estado vai reunir-se com Putin na quinta-feira, confirmando uma relação que já era próxima durante o mandato de Cristina Kirchner, e que continuou a ser positiva durante o de Macri.
Em 2021, as trocas comerciais da Argentina com a Rússia chegaram até 1.331 milhões de dólares (cerca de 1.176 milhões de euros) -- com um superávite de 29 milhões de dólares (cerca de 25 milhões de euros) a favor da Argentina --, segundo a Câmara Argentina de Comércio e Serviços.
Estes valores são semelhantes a 2018 e 2015, mas situam-se bastante abaixo dos recordes estabelecidos em 2013 e 2014.
Após a escala em Moscovo, Alberto Fernández voará no mesmo dia para Pequim, para assistir à abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno e cumprir uma agenda preenchida de atividades. O encontro com Xi Jinping acontecerá apenas no domingo.
Na China, que em 2021 foi o segundo maior parceiro comercial da Argentina, apenas atrás do Brasil, a delegação deverá discutir projetos de cooperação em infraestruturas, de transportes e energia, bem como a adesão à iniciativa Faixa e Rota, o megaprojeto chinês de investimentos no mundo.
A Argentina e a China assinaram um contrato para a construção da quarta central nuclear argentina, Atucha III, revelaram hoje fontes oficiais.
O contrato, entre as estatais Nucleoeléctrica Argentina (NA-SA) e a National Nuclear Corporation of China (CNNC) foi assinado por José Luis Antúnez, diretor da empresa argentina, e pelo presidente da empresa chinesa, Yu Jianfeng.
A Atucha III terá uma potência de geração bruta de energia de 1.200 megawatts hora, ficará instalada no Complexo Nuclear de Atucha, na cidade de Lima, província de Buenos Aires, e terá uma vida útil inicial de 60 anos.