Presidente colombiano afasta general acusando-o de tentar sabotar reunião com Trump
O Presidente da Colômbia, Gustavo Petro, destituiu o general da Polícia Edwin Masleider Urrego por ter tentado colocar "substâncias psicoativas" num veículo oficial para sabotar a reunião que manteve em Washington com o Presidente norte-americano, Donald Trump.
Durante um conselho de ministros realizado em Montería, capital do departamento de Córdoba, Petro denunciou na quarta-feira uma suposta conspiração contra ele e afirmou que, antes da sua reunião na Casa Branca no dia 03 de fevereiro, ordenou a demissão de um general da polícia, embora não tenha mencionado o seu nome.
Segundo o chefe de Estado, "alguém deu a ordem" a esse oficial para colocar "substâncias psicoativas" num dos veículos oficiais com o objetivo de "impedir" o encontro em Washington.
A demissão foi formalizada esta quarta-feira por meio de um decreto assinado pelo Presidente, no qual determinou a saída do general Urrego por meio de uma "convocação para qualificação de serviços", uma figura discricionária prevista na lei colombiana, que permite a retirada de oficiais sem perda de patente e com direito à pensão.
A suposta manobra contra Petro está também relacionada com uma busca à casa do ministro do Interior, Armando Benedetti, em Barranquilla, em novembro de 2025, por ordem do Supremo Tribunal de Justiça, quando Urrego era comandante da Polícia Metropolitana daquela cidade.
Benedetti disse hoje que o oficial não foi demitido pelas buscas na sua casa, como Urrego terá dito à imprensa, mas "porque há um relatório de inteligência" que liga Urrego a uma conspiração contra o Presidente.
"Concentre-se em responder às acusações do Presidente e não me use como escudo para se defender desse facto" e da sua passagem pela Direção de Investigação Criminal e Interpol (Dijin) e pela Polícia Fiscal e Aduaneira (Polfa)", acrescentou Benedetti.
O ministro, que insultou Urrego considerando-o "covarde", disse que o oficial demitido "tomou partido para delinquir", apesar de "o seu cargo o proibir de deliberar em política".
Urrego afirmou em declarações à imprensa local que não tinha recebido qualquer notificação formal sobre qualquer investigação contra si.
"Sou completamente inocente", disse, garantindo que está disposto a submeter-se a "qualquer teste técnico", como o do polígrafo, para provar a sua integridade.
Urrego também negou ter tido acesso ao veículo presidencial e afirmou que a segurança do chefe de Estado está a cargo de funcionários da Presidência sob protocolos rigorosos.
"O que o senhor Presidente disse tem relevância penal. Terei de esclarecer essa situação e chegar até às últimas instâncias", respondeu o oficial quando questionado sobre possíveis ações legais para se defender.