Presidente da Bolsa de Valores terá "sucessor" brevemente - Governo
O governo garantiu que o presidente da Bolsa de Valores, Veríssimo Pinto, que teve a prisão preventiva decretada esta quinta-feira, terá um sucessor brevemente.
A garantia foi dada pelo ministro dos Assuntos Parlamentares, Rui Semedo, que o agora arguido no caso "Lancha Voadora", "havia pedido a demissão há algum tempo", mas garantiu que até à data não tinha sido possível proceder a sua substituição "por razões burocráticas".
Questionado durante a conferência de imprensa que se seguiu ao Conselho de Ministro, Rui Semedo disse entender que a detenção preventiva de Veríssimo Pinto não belisca a imagem da democracia em Cabo Verde.
O ministro dos Assuntos Parlamentares explicou que os cabo-verdianos devem valorizar "tudo o que o país já conseguiu no que diz respeito ao combate ao narcotráfico, crime organizado e branqueamento de capitais".
Quanto à prisão de Veríssimo Pinto, Semedo disse que neste momento o importante é deixar as instituições funcionarem normalmente.
"Acreditamos na justiça. Não devemos julgar as pessoas na praça pública".
O presidente da Bolsa de Valores, Veríssimo Pinto, juntamente com mais quatro arguidos teve a prisão preventiva decretada esta quinta-feira pelo tribunal da comarca da Praia na sequência da operação "Lancha Voadora".
Veríssimo Pinto foi detido juntamente com António Semedo, mestre de obras, Ivone Semedo (mãe de Paulo Semedo, preso na primeira operação "Lancha Voadora"), Ernestina Pereira, (irmã de Paulo) sócia gerente da Imo Praia e Luis Ortet, dono de uma empresa de construção civil.
Já os outros dois detidos na terça-feira pela Policia Judiciária, o empresário "Djoy" Gonçalves, e Jacinto Mariano, mestre de barcos, ficaram sob termo de identidade e residência e estão impedidos de sair do país.
Os sete indivíduos são acusados de envolvimento na rede que armazenava 1.501,3 kg de cocaína em elevado estado de pureza e era dona de carros de luxo, motos de água, um navio pesqueiro e vários imóveis.
Os arguidos foram detidos na terça-feira pela Polícia Judiciária, após terem sido efetuadas buscas nas empresas e residências dos implicados, onde terá encontrado "documentos comprometedores" que os vincula à rede do narcotráfico e lavagem de capitais.
Veríssimo Pinto, ex-presidente da Bolsa de Valores, é também sócio-gerente da empresa Auto Center, que, segundo o Jornal A Semana, importou a lancha (comprada na Holanda) supostamente utilizada no transbordo da droga.
"Esta empresa serviu de intermediária no negócio. Para tal, a empresa terá investido cerca de 30 mil contos, (cerca de 270 mil euros) dinheiro que se destinava à compra e às demais `démarches` para que a lancha pudesse ser entregue em mãos aos novos proprietários, na cidade da Praia".
A Semana avança ainda que, Djoy Gonçalves e Luís Ortet são apontados como os operacionais e Jacinto, que é mestre de barcos, o homem do leme.
"António Semedo devia transportar a droga até ao armazém. Ivone é a patroa, ex-emigrante na Holanda, funcionava como a matriarca da "família". Já a filha Ernestina, que teve o curso superior pago no exterior pelos irmãos, comandava todas as operações que envolviam compras e dinheiro", escreve o mesmo jornal na sua edição `online` de hoje.