Presidente da Cáritas Ucrânia diz que o medo pela segurança renasceu

A presidente da Cáritas Ucrânia, Tatiana Stawnychy, considerou que a intensificação dos ataques russos nos últimos meses fez renascer os medos tidos do início da guerra e sublinhou que o país ainda precisa de compaixão e solidariedade.

Lusa /
Tatiana Stawnychy alerta para as dificuldades que a Ucrânia continua a enfrentar Cáritas Ucrânia

"Há enxames de drones a atacar os civis quase todas as noites", descreveu a responsável, em entrevista à Lusa, referindo que a Rússia costumava enviar 300 ou 400 drones por mês e passou a atacar com mais de 4.000.

"Ironicamente, diria que o maior medo e preocupação que tive no início da invasão em grande escala, que era com a segurança da nossa equipa e de toda a Cáritas local, é uma das minhas maiores preocupações hoje", admitiu Tatiana Stawnychy.

Por isso, apesar de entender que as negociações que decorreram no dia 16 e na segunda-feira, em Istambul, entre representantes de Moscovo e de Kiev tenham passado a ser o foco das atenções internacionais, a presidente da Cáritas lembrou que a Ucrânia ainda precisa de muita solidariedade.

"Há um apelo da Ucrânia em curso para que continuem a caminhar connosco, para que vejam o que está a acontecer, não só politicamente, nas discussões, mas também no terreno na Ucrânia, para que estejam conscientes disso, para que ofereçam orações pelos ucranianos que sofrem diariamente e, sempre que possível, para que se solidarizem connosco", pediu.

A rede Cáritas faz "um apelo de emergência para as atividades de resposta humanitária mais difíceis, e é possível dar um contributo através da Cáritas Portugal", acrescentou.

O trabalho mais difícil da organização decorre sobretudo na zona leste do país, mais próxima da frente com a Rússia, onde tenta ajudar principalmente "as pessoas muito vulneráveis, as crianças e as jovens mães".

No leste, é preciso primeiro ajudar as pessoas a saírem da zona e, depois, "ajudar os recém-desalojados a reinstalarem-se em algum lugar", adiantou a presidente da organização.

Trabalho no terreno

Na Cáritas, existem 150 psicólogos na rede, "com os quais trabalhamos constantemente para aumentar a capacidade e qualificação, para que possamos dar resposta às necessidades presentes em cada uma das comunidades", referiu.

Por outro lado, a organização tenta também "reerguer as crianças", que vivem, desde muito cedo - ou desde sempre -, desestabilizadas por uma guerra.

Uma das formas de ajuda é através de "um programa chamado "Espaços Amigos dos Bebés", onde se tenta estabilizar crianças e pais nas comunidades locais.

"É como um centro comunitário onde fazemos diferentes tipos de arte-terapia e ensinamos as tradições locais", descreveu. Aqui, também se tenta fomentar a interação entre crianças e jovens locais "para que socializem, já que muitos só têm aulas 'online' desde o início da covid-19".

"Há uma grande necessidade de espaços onde as crianças se possam encontrar e socializar, e também trabalhar na sua educação" porque "a educação 'online' não é tão forte como a presencial", indicou, acrescentando ainda que a organização aposta muito no reforço de competências de diálogo.

"Quando se está sob ataque, isso destrói a compreensão das relações e a capacidade de diálogo, por isso, é muito importante trabalhar no desenvolvimento de competências de diálogo para nos compreendermos, para sermos capazes de nos ouvirmos e compreendermos as experiências uns dos outros", concluiu.

 

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