Presidente da Colômbia anuncia início da reconstrução de áreas afetadas por terramoto

Presidente da Colômbia anuncia início da reconstrução de áreas afetadas por terramoto

O Presidente colombiano, Abelardo de la Espriella, anunciou que tem hoje início a reconstrução das zonas afetadas pelo terremoto de 10 de agosto, que deixou mais de 150.000 habitações danificadas e quase 600 edifícios colapsados.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

"Hoje começa a reconstrução da pátria a partir de Quibdó", afirmou o mandatário durante a sua terceira visita àquela cidade, capital do departamento do Chocó, um dos mais afetados pelo sismo, onde apresentou as primeiras medidas para a nova fase de resposta à situação de emergência, duas semanas após o terremoto de magnitude 7,4.

Como parte deste processo, o Governo anunciou a entrega das primeiras 4.480 toneladas de materiais para reparar habitações danificadas e lançou uma estratégia de reparação e reconstrução assistida, que cada proprietário terá de gerir, com acompanhamento de engenheiros e outros profissionais.

O conglomerado empresarial Grupo Argos anunciou, inicialmente, 300 casas de construção rápida, mas durante o ato de hoje aquele número foi aumentado para 1.000 habitações, das quais 600 podem ser destinadas ao Chocó, segundo explicou De la Espriella.

As famílias cujas casas tenham danos menores irão receber materiais para a reparação, enquanto aquelas cujas casas não possam ser recuperadas irão receber uma nova.

A partir de 26 de agosto, as famílias cujo lar tenha ficado destruído ou inabitável começarão a receber uma ajuda de 875.452 pesos (cerca de 245 euros) mensais durante três meses, totalizando 2,6 milhões (cerca de 726 euros) por lar.

O último balanço da Unidade Nacional para a Gestão do Risco de Desastres (UNGRD), atualizado hoje, indica que o terramoto causou danos em 16 departamentos e 494 municípios, com 159.924 famílias e 324.157 pessoas afetadas.

No Chocó, onde se situou o epicentro, há 12 mortos, três desaparecidos, 3.521 casas destruídas e 19.412 danificadas.

"Não vamos simplesmente substituir o que se perdeu. Vamos reconstruir melhor o que havia, com mais segurança, infraestruturas mais resistentes e mais oportunidades de trabalho", afirmou De la Espriella.

O Governo calcula que a reconstrução terá um custo próximo de 30 biliões de pesos (cerca de 8,4 mil milhões de euros), e será coordenada pelo denominado Fundo Milagre, cuja gestão está nas mãos do empresário Jaime Uribe.

O Fundo Milagre tomará como referência o Fundo para a Reconstrução e Desenvolvimento Social do Eixo Cafeeiro (Forec), criado após o terremoto de 1999 na cidade de Armenia, capital do departamento de Quindío, que deixou 1.185 mortos, e que é amplamente considerado como um exemplo positivo de reconstrução.

O fundo coordenará os recursos públicos e privados e das empresas de construção, fornecedores, engenheiros, arquitetos, autoridades locais e comunidades que participarem na recuperação.

De la Espriella assegurou que a reconstrução deverá avançar rapidamente, mas sob critérios de transparência e controlo, e avisou que não permitirá que a emergência seja utilizada para fins de clientelismo.

"A magnitude dos danos é enorme e reconstruir tudo exigirá tempo, recursos e amor por esta pátria", reconheceu o mandatário, que garantiu que liderará pessoalmente o processo e supervisionará o progresso das obras.

De la Espriella destacou especialmente a situação do Chocó, departamento que, segundo disse, sofreu durante décadas um "abandono histórico", e assegurou que não permitirá que a reconstrução se torne mais uma promessa não cumprida.

O Presidente da Colômbia disse também que há até agora 329 vítimas mortais confirmadas do terramoto de magnitude 7,4 que abalou o centro e oeste do país, além de 4.592 pessoas feridas e outras 234 desaparecidas.

Em relação às habitações, indicou que 31.519 foram destruídas e que se registaram danos em outras 178.236, bem como em 3.726 escolas, 4.140 centros comunitários e 378 centros de saúde.

De la Espriella aproveitou para anunciar que as famílias afetadas pelo terramoto começarão a receber a ajuda económica "direta" anunciada pelo Governo colombiano a partir de quarta-feira, com um montante avaliado em 875.452 pesos (244 euros) por família durante três meses.

Tópicos
PUB