Presidente da FNLA altera data do congresso sob contestação interna em Angola
A direção da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) alterou, na sexta-feira, para novembro a data do congresso para a sucessão previsto para setembro, sob contestação interna.
Em reunião do Bureau Político do partido, a direção liderada por Nimi-a-Simbi, remarcou para de 25 a 27 de novembro o VI Congresso Ordinário e de renovação de mandatos, justificando o adiamento com dificuldades financeiras.
A decisão está a ser contestada por Ngola Kabangu, antigo líder da FNLA, que considera tratar-se de «uma violação grosseira dos estatutos», por entender que é competência do Comité Central do partido.
A FNLA, partido histórico angolano, é um dos signatários do Acordo de Alvor, assinado em 15 de janeiro de 1975, com o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) e o Governo português da altura para a independência de Angola.
O partido tem vivido crises internas desde a morte de Álvaro Holden Roberto, em 2007, encontrando-se divido em duas alas, uma liderada por Nimi-a-Simbi, eleito em 2021, cujo mandato termina em 30 de setembro, e outra liderada por Ngola Kabangu, que dirigiu o partido entre 2007 e 2011.
A FNLA tem duas comissões preparatórias para o congresso da sucessão, que soma cinco candidatos, Carlito Roberto (filho do fundador da FNLA, Álvaro Holden Roberto), Daniel Afonso, António Fernando Pedro Gomes, Kiaku Samuel Kiala e Sofia Coelho Afonso.
O Comité Central da FNLA elegeu em março passado Ndonda Nzinga, afeto à ala de Ngola Kabanngu, ao cargo de coordenador da comissão preparatória do congresso, acusando Nimi-a-Simbi de «ditador, imperador e violador sistemático dos estatutos».
Em maio, o atual presidente, Nimi-a-Simbi, negou as acusações, considerou nula a comissão aprovada pelo Comité Central e elegeu João Roberto Soki-Soki como coordenar da comissão preparatória.
As cinco candidaturas à presidência do partido foram validadas pela comissão liderada por Ndonda Nzinga.
O congresso estava inicialmente agendado para a próxima semana (de 23 a 25 de setembro), mas na sexta-feira, em reunião orientada pelo presidente do partido, Nimi-a-Simbi, foi deliberada a alteração da data.
De acordo com a porta-voz da FNLA, Maria Bunlevu, as razões da alteração foram apresentadas pela comissão preparatória e a questões financeiras concorreram para a remarcação do congresso.
«A comissão preparatória apresentou [nesta reunião] a dificuldade [financeira] uma vez que estava tão próxima a realização do congresso, mas era apenas uma data anunciada, porque ainda não havia sido convocada, logo a data do congresso foi alterada para 25,26 e 27 de novembro», disse.
Bunlevu deu nota também que algumas assembleias provinciais para eleição de delegados estão igualmente condicionadas por limitações financeiras.
Pelo menos 17 assembleias provinciais foram já realizadas, faltando quatro, que terão lugar, segundo a porta-voz à medida que houver condições financeiras.
«Porque sabemos que as assembleias requerem gastos e estes devem ser racionalizados de acordo com as verbas que forem surgindo», concluiu Maria Bunlevu.