Presidente do Burkina Faso reforça intenção de realizar eleições em 2024
O Presidente transitório do Burkina Faso, Ibrahim Traoré, reforçou junto da União Europeia (UE) a sua intenção de respeitar o calendário de transição e de realizar eleições no país em 2024, afirmou um porta-voz comunitário.
"A UE teve contacto com o capitão Traoré, tanto bilateralmente como no corpo diplomático internacional, que confirmou durante estas reuniões a sua vontade de cooperar com todos os parceiros do Burkina Faso", explicou o porta-voz.
O líder do golpe militar de setembro no Burkina Faso nomeou um novo Governo na terça-feira, depois de o advogado Apolinaire Joachim Kyelem de Tambela ter sido nomeado primeiro-ministro transitório no fim-de-semana.
O país foi palco de dois golpes de Estado em menos de um ano, sendo que o primeiro foi em janeiro, e o capitão Troré depôs em setembro Paul-Henri Sandaogo Damiba, o agora ex-presidente de quem De Tambela era crítico.
Em Bruxelas, foram tomadas notas dos compromissos assumidos pela nova junta militar, incluindo o respeito pelo calendário de transição e a realização de eleições em 2024, tal como acordado com a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) durante uma visita realizada na semana após o golpe militar.
Em termos de financiamento europeu para o Burkina Faso, a UE está empenhada em apoiar a população burquinabê afetada pelos dois golpes sucessivos e pela atual crise alimentar, e a continuar a prestar apoio direto à população na medida do possível.
No total, a UE tem 384 milhões de euros destinados ao Burkina Faso até 2024 para fomentar a paz, a coesão social, a boa governação, o desenvolvimento local, o desenvolvimento humano inclusivo e a promoção de uma economia verde e resiliente.
Parte deste envelope já tinha sido autorizado até ao final de 2021, num montante total de 200 milhões de euros, não tendo sido processadas novas transferências desde o golpe em janeiro.
Sobre a cooperação com as novas autoridades, o porta-voz insistiu que a instituição "segue de perto a evolução da transição para a restauração das instituições democráticas".
"As próximas semanas e meses serão cruciais", sublinhou o representante dos 27.
No seu discurso de tomada de posse, Traoré prometeu defender a Constituição e a carta de transição, agir como garante da segurança nacional e pôr fim aos meses tumultuosos no Burkina Faso.
O golpe, considerado um "golpe palaciano" (um golpe de Estado pelo qual um governante ou é removido por forças pertencentes ao mesmo governo, sem seguir as normas legais estabelecidas para a substituição das autoridades) por uma secção da junta militar contrária a Damiba - que fugiu para o Togo - teve lugar face à contínua deterioração da situação de segurança e aos ataques dos grupos terroristas.
Empossado em 21 de outubro como Presidente da transição pelo Conselho Constitucional, o capitão Traoré assegurou que os seus "objetivos não são outros que a reconquista do território ocupado pelas hordas de terroristas".
Os grupos extremistas controlam aproximadamente 40% do território burquinabê.
O país está mergulhado numa espiral de violência desde 2015, cujos principais atores são movimentos extremistas ligados à Al-Qaida e ao grupo extremista Estado Islâmico.
Esses ataques regulares, inicialmente concentrados no norte antes de se espalharem para o resto do país, particularmente o leste, causaram milhares de mortes e forçaram cerca de dois milhões de pessoas a fugir das suas áreas de residência.