Presidente do Conselho Europeu fala com líderes ruandês e congolês e apela à paz
O Presidente do Conselho Europeu, o português António Costa, disse hoje que falou ao telefone com os Presidentes do Ruanda e da República Democrática do Congo (RDCongo), nos quais expressou preocupação e apelou à pacificação do conflito.
"Hoje estabeleci contactos telefónicos com os Presidentes da República Democrática do Congo, Felix Tshisekedi, e do Ruanda, Paul Kagame, para expressar a minha preocupação com o atual conflito" no leste da RDCongo, escreveu na rede social X.
"Espero por um construtivo encontro em Dar Es Salaam [no sábado] promovido pela Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) e pela Comunidade da África Oriental (EAC)", acrescentou, sustentando que "tem de ser encontrada uma solução sustentável a longo prazo para a estabilidade da região".
Pelo menos 2.900 pessoas morreram nos combates que levaram, na semana passada, à tomada da cidade de Goma, no leste da RDCongo, informou hoje a ONU.
O grupo rebelde Movimento 23 de março (M23) e as tropas ruandesas, após a tomada de Goma, lançaram hoje uma nova ofensiva no leste da RDCongo.
Depois de ter tomado a capital da província de Kivu do Norte na semana passada, o M23 decretou unilateralmente um cessar-fogo humanitário que deveria ter entrado em vigor na terça-feira e acrescentou que não tinha "qualquer intenção de tomar o controlo de Bukavu ou de qualquer outra cidade".
Mas, na madrugada de hoje, combatentes do grupo rebelde e soldados ruandeses iniciaram intensos combates contra as forças armadas congolesas na província vizinha de Kivu do Sul.
De acordo com fontes de segurança e humanitárias, apoderaram-se rapidamente da cidade mineira de Nyabibwe, a cerca de 100 quilómetros de Bukavu e a 70 quilómetros do aeroporto provincial.
"Esta é uma prova clara de que o cessar-fogo unilateral decretado foi, como sempre, uma farsa", disse à agência de notícias France-Presse (AFP) o porta-voz do Governo congolês, Patrick Muyaya.
Em mais de três anos de conflito, o exército congolês, que tem a reputação de ser mal treinado e afetado pela corrupção, tem vindo a regredir constantemente. Foram acordados meia dúzia de cessar-fogos e tréguas, mas nunca foram respeitados.
A comunidade internacional e os países mediadores, como Angola e o Quénia, estão a tentar encontrar uma solução diplomática para a crise, temendo um conflito regional.
Kinshasa instou a comunidade internacional a sancionar Kigali.
"Vemos muitas declarações, mas não vemos qualquer ação", lamentou hoje a ministra dos Negócios Estrangeiros da RDCongo, Thérèse Kayikwamba Wagner.
Félix Tshisekedi e o seu homólogo ruandês, Paul Kagame, deverão participar numa cimeira extraordinária conjunta da Comunidade da África Oriental (EAC) e da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) em Dar es Salaam, no sábado.
O Conselho dos Direitos Humanos da ONU deverá reunir-se de emergência na sexta-feira, a pedido de Kinshasa, para debater a crise. O Gabinete do Procurador do Tribunal Penal Internacional (TPI), que investiga os crimes de guerra e os crimes contra a humanidade, declarou hoje estar a "acompanhar de perto" a situação na RDCongo.
Vários países vizinhos já indicaram que estão a reforçar as suas defesas.
Nesta região marcada por décadas de conflito, Kinshasa acusa Kigali de querer pilhar os numerosos recursos naturais.
O Ruanda nega e afirma que pretende erradicar os grupos armados, nomeadamente os criados pelos antigos líderes hutus do genocídio tutsi de 1994 no Ruanda, que considera uma ameaça à sua segurança.