Presidente do Haiti e oposição reúnem-se pela primeira vez após crise política

O Presidente do Haiti, Michel Martelly, e os principais partidos da oposição reuniram-se esta quinta-feira, durante várias horas, revelou o presidente da Câmara dos Deputados, Cholser Chancy, que desmentiu rumores sobre a dissolução do recém-constituído parlamento.

Lusa /

Cholser Chancy revelou aos jornalistas que o encontro, que decorreu na capital do país, Port-au-Prince, faz parte dos esforços da classe política para encontrar uma saída para a crise institucional que o Haiti atravessa em face da eventual saída do poder de Michel Martelly, sem a eleição nas urnas do seu sucessor.

O deputado, que não quis, contudo, facultar grandes detalhes, admitiu que um dos temas de maior discussão girou em torno da formação de um Governo de transição que dirija o país diante da saída de Martelly, cujo mandato de cinco anos termina no próximo domingo, de acordo com a Constituição.

O presidente do Senado haitiano, Jocelerme Privert, revelou na terça-feira, após reunir-se com Martelly, que o chefe de Estado deixará o poder na data prevista.

Na reunião com o Presidente haitiano participaram, segundo Chancy, representantes do grupo G8 -- plataforma que agrega os principais partidos da oposição --, incluindo o Lapeh do candidato Jude Celestin, e o Família Lavalás, liderado pelo ex-presidente Jean Bertrand Aristide.

Celestin recusou participar na segunda volta das eleições presidenciais, suspensas pelo Conselho Eleitoral Provisório (CEP), que alegou razões de segurança, após o incêndio de vários centros de votação e ameaças de morte denunciadas por membros desse organismo.

Enquanto tal sucedia em Port-Au-Prince, no norte e sudeste do Haiti, seguidores do candidato `oficialista`, Jovenel Moise, realizaram marchas exigindo a celebração imediata de eleições e rejeitando a formação de um Governo de transição.

Os partidários de Moise consideram que as eleições podem ser concluídas -- ainda que com a ausência do CEP, que praticamente inexiste atualmente depois da renúncia do seu presidente e de outros cinco membros.

Moise foi o candidato mais votado na primeira ronda das eleições, realizada em outubro passado, mas consideradas "fraudulentas" pela oposição, que se nega a aceitar estes resultados e que anunciou que pretende voltar às ruas hoje com o objetivo de "garantir" que Martelly deixa o poder no domingo.

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