Mundo
Presidente do Iémen em paradeiro desconhecido
Abed Rabbo Mansour Hadi, Presidente do Iémen, abandonou esta quarta-feira o palácio em Aden e encontra-se em local desconhecido, poucas horas depois da captura do ministro da Defesa e da ocupação de uma base aérea estratégica pelos rebeldes Houthis. As agências internacionais dão conta do lançamento de mísseis na cidade e a tentativa de tomada do seu porto.
A informação da fuga do Presidente Hadi surge horas depois de a televisão dominada pelos rebeldes ter noticiado o controlo total de uma base aérea, onde conselheiros europeus e norte-americanos ajudavam no combate às forças da al Qaeda naquele país.
A base aérea de al-Annad, considerada um ponto estratégico para o combate contra a filial da al Qaeda na Península Arábica, é a maior do país e já tinha sido alvo de ataques, que levaram inclusive à recente evacuação de pelo menos 100 soldados norte-americanos e forças especiais da Grã-Bretanha.
Várias testemunhas confirmaram esta quarta-feira à Associated Press o avistamento de vários veículos presidenciais a abandonar o palácio de Aden, localizado num ponto montanhoso da cidade, perto do golfo. A BBC refere que os aviões de guerra da milícia rebelde aproximaram-se do palácio presidencial.
Residentes de Aden dão conta à agência Reuters do sobrevoo de aviões de guerra e do lançamento de mísseis ao mar, sem causarem quaisquer danos. A agência cita o diretor do gabinete de Hadi, que garante que o Presidente “está a salvo e continua na cidade”. Em fevereiro, o Presidente já tinha sido obrigado a abandonar a residência oficial em Sanaa e a exilar-se no Palácio de Áden, de onde agora terá fugido.
A televisão estatal do Iémen, controlada pelos rebeldes separatistas, ofereceu entretanto 100 mil dólares (cerca de 91.300 euros) pela captura do Presidente e anunciou o aprisionamento de Mahmoud al-Subaihi, o ministro da Defesa, que se encontrava no sul do país.
Quem são os Houthis?
Os rebeldes Houthis constituem uma milícia xiita do norte do Iémen, região independente até 1962. Identificam-se com o ramo Zaidista do Islão e desde 2004 que levam a cabo vários ataques terroristas. Com a eclosão da chamada Primavera Árabe e a eleição de Hadi em 2012, o Iémen torna-se um país mais vulnerável, com altos representantes do Governo a serem constantemente alvo de ataques ou tentativas de atentados. As constantes ofensivas dos Houthis contam com a ajuda de apoiantes de Ali Abdullah Saleh, o Presidente deposto em 2011.
Os Houthis opõem-se ao Presidente Hadi e ao ramo da al Qaeda na Península Arábica, uma das filiais mais perigosas do grupo terrorista, que está a ser gradualmente desapossado pelos rebeldes próximos do Estado Islâmico no país.
A situação agudizou-se em setembro de 2014, quando Sana, a capital, caiu nas mãos dos rebeldes. Já em janeiro de 2015, os Houthis voltaram a rejeitar os acordos de paz propostos pela comunidade internacional. Tomaram a televisão estatal e os confrontos com exército em plena capital levaram o Governo iemenita a declarar uma tentativa de golpe de Estado. À beira da guerra civil
O encerramento de várias embaixadas ocidentais no mês passado foi mais um dos muitos sinais que indiciam um país a um passo da guerra civil. Na última sexta-feira o Estado Islâmico desencadeou o maior ataque de que há registo, com dois bombardeamentos suicidas em mesquitas xiitas de Sana a provocarem 137 mortos.
A ofensiva das forças Houthis no sul do Iémen surge também em reação ao crescente papel do Estado Islâmico no país. Após o ataque da semana passada que matou pelo menos 137 pessoas em mesquitas xiitas na cidade de Sana, Abdel-Malik al-Houthi anunciou o envio de tropas para o sul do Iémen, sob o pretexto de combater os grupos jihadistas.
Desde então, o Conselho de Segurança das Nações Unidas condenou as ações dos rebeldes e apelou a uma negociação entre as forças governamentais. Na terça-feira, Mansour Hadi pedia a intervenção internacional imediata por parte das Nações Unidas e apelava ao Conselho de Segurança para que autorizasse uma ação militar com vista a “proteger o Iémen e deter a agressão Houthi, esperada a qualquer momento”. O Presidente solicitou ainda aos membros do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) e à Liga Árabe o envio de ajuda imediata.
Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Kuwait já demonstraram apoio diplomáticos a Hadi, mas foram recentemente obrigados a retirar conselheiros do país devido à grande instabilidade. Mas a cada vez mais provável guerra civil em que o Iémen mergulha trará instabilidade aos países do Golfo.
A Arábia Saudita reafirmou esta quarta-feira que está pronta a “tomar todas as medidas necessárias”, caso o golpe Houthi não termine pacificamente.
A base aérea de al-Annad, considerada um ponto estratégico para o combate contra a filial da al Qaeda na Península Arábica, é a maior do país e já tinha sido alvo de ataques, que levaram inclusive à recente evacuação de pelo menos 100 soldados norte-americanos e forças especiais da Grã-Bretanha.
Várias testemunhas confirmaram esta quarta-feira à Associated Press o avistamento de vários veículos presidenciais a abandonar o palácio de Aden, localizado num ponto montanhoso da cidade, perto do golfo. A BBC refere que os aviões de guerra da milícia rebelde aproximaram-se do palácio presidencial.
Residentes de Aden dão conta à agência Reuters do sobrevoo de aviões de guerra e do lançamento de mísseis ao mar, sem causarem quaisquer danos. A agência cita o diretor do gabinete de Hadi, que garante que o Presidente “está a salvo e continua na cidade”. Em fevereiro, o Presidente já tinha sido obrigado a abandonar a residência oficial em Sanaa e a exilar-se no Palácio de Áden, de onde agora terá fugido.
A televisão estatal do Iémen, controlada pelos rebeldes separatistas, ofereceu entretanto 100 mil dólares (cerca de 91.300 euros) pela captura do Presidente e anunciou o aprisionamento de Mahmoud al-Subaihi, o ministro da Defesa, que se encontrava no sul do país.
Quem são os Houthis?
Os rebeldes Houthis constituem uma milícia xiita do norte do Iémen, região independente até 1962. Identificam-se com o ramo Zaidista do Islão e desde 2004 que levam a cabo vários ataques terroristas. Com a eclosão da chamada Primavera Árabe e a eleição de Hadi em 2012, o Iémen torna-se um país mais vulnerável, com altos representantes do Governo a serem constantemente alvo de ataques ou tentativas de atentados. As constantes ofensivas dos Houthis contam com a ajuda de apoiantes de Ali Abdullah Saleh, o Presidente deposto em 2011.
Os Houthis opõem-se ao Presidente Hadi e ao ramo da al Qaeda na Península Arábica, uma das filiais mais perigosas do grupo terrorista, que está a ser gradualmente desapossado pelos rebeldes próximos do Estado Islâmico no país.
A situação agudizou-se em setembro de 2014, quando Sana, a capital, caiu nas mãos dos rebeldes. Já em janeiro de 2015, os Houthis voltaram a rejeitar os acordos de paz propostos pela comunidade internacional. Tomaram a televisão estatal e os confrontos com exército em plena capital levaram o Governo iemenita a declarar uma tentativa de golpe de Estado. À beira da guerra civil
O encerramento de várias embaixadas ocidentais no mês passado foi mais um dos muitos sinais que indiciam um país a um passo da guerra civil. Na última sexta-feira o Estado Islâmico desencadeou o maior ataque de que há registo, com dois bombardeamentos suicidas em mesquitas xiitas de Sana a provocarem 137 mortos.
A ofensiva das forças Houthis no sul do Iémen surge também em reação ao crescente papel do Estado Islâmico no país. Após o ataque da semana passada que matou pelo menos 137 pessoas em mesquitas xiitas na cidade de Sana, Abdel-Malik al-Houthi anunciou o envio de tropas para o sul do Iémen, sob o pretexto de combater os grupos jihadistas.
Desde então, o Conselho de Segurança das Nações Unidas condenou as ações dos rebeldes e apelou a uma negociação entre as forças governamentais. Na terça-feira, Mansour Hadi pedia a intervenção internacional imediata por parte das Nações Unidas e apelava ao Conselho de Segurança para que autorizasse uma ação militar com vista a “proteger o Iémen e deter a agressão Houthi, esperada a qualquer momento”. O Presidente solicitou ainda aos membros do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) e à Liga Árabe o envio de ajuda imediata.
Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Kuwait já demonstraram apoio diplomáticos a Hadi, mas foram recentemente obrigados a retirar conselheiros do país devido à grande instabilidade. Mas a cada vez mais provável guerra civil em que o Iémen mergulha trará instabilidade aos países do Golfo.
A Arábia Saudita reafirmou esta quarta-feira que está pronta a “tomar todas as medidas necessárias”, caso o golpe Houthi não termine pacificamente.