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Presidente do Níger detido em golpe. Guterres condena "mudança inconstitucional"
O secretário-geral da ONU condenou "veementemente a mudança inconstitucional" de Governo no Níger, afirmou o porta-voz de António Guterres, na quarta-feira, depois de militares anunciarem o derrube do presidente, Mohamed Bazoum.
O secretário-geral da ONU condenou "veementemente a mudança inconstitucional" de Governo no Níger, afirmou o porta-voz de António Guterres, na quarta-feira, depois de militares anunciarem o derrube do Presidente, Mohamed Bazoum.
Guterres está "profundamente perturbado" com a detenção de Bazoum, por membros da guarda presidencial, afirmou o porta-voz Stéphane Dujarric num comunicado.
"O secretário-geral apela à cessação imediata de todas as ações que minam os princípios democráticos no Níger", acrescentou.
A Casa Branca também já reagiu e condena os esforços para tomar o poder pela força. O presidente Mohamed Bazoum e o chefe da diplomacia nigerina, Hassoumi Massoudou, rejeitaram entretanto o golpe de Estado, sustentando em mensagens separadas que continuam a representar as autoridades legítimas do país.
O secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, falou com o presidente Bazoum a quem “transmitiu o apoio inabalável dos Estados Unidos a forte parceria económica e de segurança dos EUA com o Níger depende da continuação da governação democrática e do respeito pelo Estado de direito e pelos Direitos Humanos".
Blinken, que está na Nova Zelândia, apelou ainda à “libertação imediata de Bazoum”.
“Condenamos todos os esforços para tomar o poder pela força. Estamos ativamente empenhados com o Governo do Níger, mas também com os parceiros na região. Continuaremos a fazê-lo até que a situação seja resolvida de forma adequada e pacífica”.
As Forças Armadas do Níger têm recebido formação e apoio logístico dos EUA e da França, que têm bases militares no país.
“Acontecimentos desagradáveis”
Bola Tinubu, presidente da Nigéria, país que preside atualmente à Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), classificou a tentativa de golpe como “acontecimentos desagradáveis” e acrescentou que estava “em contactos” com outros líderes da região sobre a situação.
"A liderança da CEDEAO não aceitará qualquer ação que impeça o bom funcionamento da autoridade legítima no Níger ou em qualquer parte da África Ocidental. Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para garantir que a democracia seja firmemente plantada, alimentada, bem enraizada e prospere na nossa região", afirmou em comunicado.Mohamed Bazoum detido pela guarda presidencial
O presidente do Níger, Mohamed Bazoum, foi detido na quarta-feira de manhã por membros da guarda presidencial, na sequência do fracasso das conversações sobre pontos que permanecem desconhecidos.
Militares do Níger afirmaram ter derrubado o regime de Bazoum, através de um comunicado lido na televisão nacional em Niamey, capital do país africano, em nome de um Conselho Nacional para a Salvaguarda da Pátria (CNSP).
"Nós, as forças de defesa e segurança, reunidas no seio do CNSP, decidimos por fim ao regime que conhecem", o do Presidente Bazoum, declarou o coronel Amadou Abdramane, rodeado por nove militares fardados. O Níger é um dos países mais instáveis do mundo.
Amadou Abdramane frisou que “os militares tinham decidido pôr fim ao regime que conhecem devido à detioração da segurança e má governação”.
Os militares anunciaram ainda, no discurso televisivo, o encerramento das fronteiras e a entrada em vigor do recolher obrigatório "até novo aviso".
O acesso ao palácio presidencial do Níger, em Niamey, está bloqueado desde quarta-feira de manhã e a estrada que conduz ao edifício continua fechada ao trânsito por elementos da guarda presidencial. A França, potência colonial até à independência do país, em 1960, tem um destacamento militar de 1.500 homens no Níger, o mais importante no Sahel, após a retirada de outros países, onde efetuou operações contra organizações fundamentalistas islâmicas.
A história deste país vasto, pobre e desértico, tem sido pontuada por golpes de estado. Desde a independência desta ex-colónia francesa, em 1960, foram quatro os golpes de Estado, com o primeiro em abril de 1974, contra o Presidente Diori Hamani, e o último em fevereiro de 2010, que derrubou o Presidente Mamadou Tandja. Foram inúmeras as tentativas de golpe.A confirmar-se, esta é a quinta tentativa de golpe de Estado na África Ocidental nos últimos quatro anos.
Em janeiro de 2018, nove soldados e um civil foram condenados por um tribunal militar a penas de prisão que variam entre cinco e 15 anos por terem tentado derrubar o antecessor de Bazoum, Mahamadou Issoufou, em 2015.
Entre os condenados, conta-se o general Souleymane Salou, antigo chefe do Estado-Maior do Exército e membro da junta que expulsou Tandja em 2010.
Bazoum, que foi democraticamente eleito em 2021, é um aliado próximo de França. A vitória eleitoral ficou marcada por violentos protestos de partidários do seu principal adversário nas eleições, Mahaman Ousmane, que rejeitou os resultados e se declarou vencedor.
No entanto, poucos dias antes da tomada de posse de Bazoum, em abril de 2021, houve uma tentativa de golpe de Estado. Várias pessoas foram detidas.
Ousmane Cisse, antigo ministro do Interior do governo militar de transição que vigorou entre 2010 e 2011, foi detido em abril de 2022 pelo seu presumível papel. Foi absolvido em fevereiro deste ano, mas cinco outros, incluindo Gourouza, um capitão da força aérea, foram presos por 20 anos.
Guterres está "profundamente perturbado" com a detenção de Bazoum, por membros da guarda presidencial, afirmou o porta-voz Stéphane Dujarric num comunicado.
"O secretário-geral apela à cessação imediata de todas as ações que minam os princípios democráticos no Níger", acrescentou.
A Casa Branca também já reagiu e condena os esforços para tomar o poder pela força. O presidente Mohamed Bazoum e o chefe da diplomacia nigerina, Hassoumi Massoudou, rejeitaram entretanto o golpe de Estado, sustentando em mensagens separadas que continuam a representar as autoridades legítimas do país.
O secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, falou com o presidente Bazoum a quem “transmitiu o apoio inabalável dos Estados Unidos a forte parceria económica e de segurança dos EUA com o Níger depende da continuação da governação democrática e do respeito pelo Estado de direito e pelos Direitos Humanos".
Blinken, que está na Nova Zelândia, apelou ainda à “libertação imediata de Bazoum”.
“Condenamos todos os esforços para tomar o poder pela força. Estamos ativamente empenhados com o Governo do Níger, mas também com os parceiros na região. Continuaremos a fazê-lo até que a situação seja resolvida de forma adequada e pacífica”.
As Forças Armadas do Níger têm recebido formação e apoio logístico dos EUA e da França, que têm bases militares no país.
“Acontecimentos desagradáveis”
Bola Tinubu, presidente da Nigéria, país que preside atualmente à Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), classificou a tentativa de golpe como “acontecimentos desagradáveis” e acrescentou que estava “em contactos” com outros líderes da região sobre a situação.
"A liderança da CEDEAO não aceitará qualquer ação que impeça o bom funcionamento da autoridade legítima no Níger ou em qualquer parte da África Ocidental. Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para garantir que a democracia seja firmemente plantada, alimentada, bem enraizada e prospere na nossa região", afirmou em comunicado.Mohamed Bazoum detido pela guarda presidencial
O presidente do Níger, Mohamed Bazoum, foi detido na quarta-feira de manhã por membros da guarda presidencial, na sequência do fracasso das conversações sobre pontos que permanecem desconhecidos.
Militares do Níger afirmaram ter derrubado o regime de Bazoum, através de um comunicado lido na televisão nacional em Niamey, capital do país africano, em nome de um Conselho Nacional para a Salvaguarda da Pátria (CNSP).
"Nós, as forças de defesa e segurança, reunidas no seio do CNSP, decidimos por fim ao regime que conhecem", o do Presidente Bazoum, declarou o coronel Amadou Abdramane, rodeado por nove militares fardados. O Níger é um dos países mais instáveis do mundo.
Amadou Abdramane frisou que “os militares tinham decidido pôr fim ao regime que conhecem devido à detioração da segurança e má governação”.
Os militares anunciaram ainda, no discurso televisivo, o encerramento das fronteiras e a entrada em vigor do recolher obrigatório "até novo aviso".
O acesso ao palácio presidencial do Níger, em Niamey, está bloqueado desde quarta-feira de manhã e a estrada que conduz ao edifício continua fechada ao trânsito por elementos da guarda presidencial. A França, potência colonial até à independência do país, em 1960, tem um destacamento militar de 1.500 homens no Níger, o mais importante no Sahel, após a retirada de outros países, onde efetuou operações contra organizações fundamentalistas islâmicas.
Fonte próxima de Bazoum descreveu a ação como “um ataque de fúria das tropas de elite”, acrescentando que estavam a “decorrer conversações” com os militares que bloquearam o palácio presidencial.
O país está a braços com duas campanhas jihadistas - uma no sudoeste, que veio do vizinho Mali em 2015, e outra no sudeste, envolvendo jihadistas baseados no nordeste da Nigéria.
Vários golpes de Estado no paísA história deste país vasto, pobre e desértico, tem sido pontuada por golpes de estado. Desde a independência desta ex-colónia francesa, em 1960, foram quatro os golpes de Estado, com o primeiro em abril de 1974, contra o Presidente Diori Hamani, e o último em fevereiro de 2010, que derrubou o Presidente Mamadou Tandja. Foram inúmeras as tentativas de golpe.A confirmar-se, esta é a quinta tentativa de golpe de Estado na África Ocidental nos últimos quatro anos.
Em janeiro de 2018, nove soldados e um civil foram condenados por um tribunal militar a penas de prisão que variam entre cinco e 15 anos por terem tentado derrubar o antecessor de Bazoum, Mahamadou Issoufou, em 2015.
Entre os condenados, conta-se o general Souleymane Salou, antigo chefe do Estado-Maior do Exército e membro da junta que expulsou Tandja em 2010.
Bazoum, que foi democraticamente eleito em 2021, é um aliado próximo de França. A vitória eleitoral ficou marcada por violentos protestos de partidários do seu principal adversário nas eleições, Mahaman Ousmane, que rejeitou os resultados e se declarou vencedor.
No entanto, poucos dias antes da tomada de posse de Bazoum, em abril de 2021, houve uma tentativa de golpe de Estado. Várias pessoas foram detidas.
Ousmane Cisse, antigo ministro do Interior do governo militar de transição que vigorou entre 2010 e 2011, foi detido em abril de 2022 pelo seu presumível papel. Foi absolvido em fevereiro deste ano, mas cinco outros, incluindo Gourouza, um capitão da força aérea, foram presos por 20 anos.
Uma segunda tentativa de destituição de Bazoum teve lugar em março deste ano, quando o Presidente se encontrava na Turquia, segundo um funcionário do Níger, que afirmou ter sido efetuada uma detenção.
O Níger, situado no coração do Sahel, é constituído por dois terços de deserto e ocupa persistentemente uma posição próxima, ou no fim, do índice de desenvolvimento humano da ONU, um indicador de prosperidade. Tem uma população crescente de 22,4 milhões de habitantes, impulsionada por uma taxa de natalidade média de sete filhos por cada mulher.
c/ agências
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