Presidente do parlamento timorense adverte que fiscalização não é "uma operação de calculadora"
A presidente do Parlamento Nacional de Timor-Leste, Fernanda Lay, advertiu hoje os deputados timorenses que a fiscalização do orçamento não é uma "operação de calculadora", salientando que o dinheiro do Estado deve beneficiar a população.
"A fiscalização do orçamento não é uma operação de calculadora, uma execução de 40% pode ser melhor dinheiro público gasto do que uma execução de 90% e uma execução de 90% pode ser dinheiro que saiu dos cofres sem melhorar a vida de ninguém", disse Fernanda Lay.
A presidente do parlamento falava na sessão inaugural da quarta sessão legislativa da IV legislatura.
No discurso, a presidente do parlamento lembrou também aos deputados que é preciso perceber se cada dólar gasto teve benefícios para a vida da população.
"A estrada chegou ao suco [conjunto de aldeias]? O centro de saúde tem medicamentos? A escola tem professor? A calculadora diz-nos quanto se gastou, mas é o povo que nos diz se valeu a pena", salientou Fernanda Lay.
A presidente do parlamento, que pediu mais rigor aos deputados e ao Governo, disse também que a sociedade e o povo devem ser ouvidos.
"Não por cortesia, mas por dever. É para eles que todos nós trabalhamos e é a eles que prestamos contas", disse.
Para Fernanda Lay, a legislação produzida pelo parlamento tem de ter "substância".
"Leis que o pescador reconheça na sua rede, que o agricultor reconheça na sua terra, que o jovem reconheça no seu primeiro emprego", afirmou.
No próximo ano, continuou a presidente do parlamento, a população não vai perguntar quantas leis foram aprovas ou quantas horas de debate houve, nem a percentagem do orçamento executada.
"Vai perguntar-nos o que mudou. Senhores Deputados, não há discurso, não há desculpas, só a obra responde. Temos os meios. Temos o mandato. Comecemos este ano como redobrada vontade", acrescentou.
O hemiciclo timorense é composto por 65 deputados, distribuídos por cinco partidos políticos.