Presidente eleito das Honduras viaja para os Estados Unidos

O presidente eleito das Honduras, Nasry Asfura, viajou para Washington, onde será recebido, hoje, por dirigentes do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), indicou uma fonte próxima do líder do conservador Partido Nacional.

Lusa /
STRINGER via EPA

A mesma fonte, que não foi identificada, disse à agência de notícias EFE que Asfura poderá também reunir-se com altos funcionários do Governo dos Estados Unidos, cujo Presidente, Donald Trump, o apoiou publicamente três dias antes das eleições gerais de 30 de novembro.

De acordo com informações não oficiais, Asfura viajou no domingo, acompanhado por um pequeno grupo de conselheiros, incluindo a ex-ministra dos Negócios Estrangeiros das Honduras, Mireya Agüero.

Na semana passada, Asfura anunciou planos para viajar para os Estados Unidos, para reforçar as relações com o principal parceiro comercial das Honduras.

O presidente eleito afirmou ainda que procuraria estreitar os laços com Israel, dado o progresso do país em áreas como a agricultura, e deu a entender que visitaria também Israel.

Asfura foi declarado presidente eleito a 24 de dezembro pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) das Honduras, após eleições marcadas por uma contagem lenta dos votos e acusações de irregularidades.

A contagem foi finalmente concluída a 30 de dezembro, data limite legal, quando foram anunciados os resultados das eleições para o parlamento. No entanto, algumas atas eleitorais não foram contabilizadas devido a inconsistências.

Estas atas foram transferidas para o Tribunal Eleitoral de Justiça, que tem até 20 de janeiro para emitir uma decisão, que será definitiva, uma semana antes da tomada de posse, marcada para 27 de janeiro.

Asfura viajou para os Estados Unidos um dia depois da atual Presidente das Honduras, Xiomara Castro, ter solicitado ao CNE que iniciasse imediatamente uma recontagem dos votos das eleições gerais de 30 de novembro.

Na sexta-feira, um pequeno grupo de membros eleitos e suplentes do partido no poder, o Liberdade e Refundação (Libre, esquerda), aprovou a recontagem de todos os votos, numa sessão extraordinária do parlamento.

Mais de 70 deputados da oposição denunciaram ter sido impedidos de entrar na sessão legislativa.

A iniciativa foi ratificada por Xiomara Castro e publicada no Diário Oficial, algo que os juristas, a oposição e os analistas consideram inconstitucional.

A atual Presidente declarou a 18 de dezembro que aceitaria os resultados do CNE. Uma semana depois, na mensagem de Natal ao país, Castro declarou que não ficaria no poder "nem um dia a mais, nem um dia a menos" dos quatro anos de mandato.

A Presidente convocou o Conselho de Ministros no sábado depois de ter enviado uma mensagem a Donald Trump a pedir "um diálogo direto e franco sobre o processo eleitoral" e após ter acusado o líder dos EUA de ingerência nas eleições.

As "declarações públicas" de Trump a favor de Asfura "influenciaram negativamente o desenvolvimento do processo democrático e afectaram o nosso candidato", lamentou Castro, numa mensagem nas redes sociais.

Em 25 de dezembro, a candidata presidencial do partido no poder nas Honduras, Rixi Moncada, acusou o CNE de "assassinar a democracia" e sucumbir perante "a fraude e a imposição estrangeira" depois de declarar vencedor Nasry Asfura.

O escrutínio foi marcado por denúncias de fraude desde antes das votações, ameaças contra as duas conselheiras eleitorais junto do CNE pelos partidos considerados vencedores, e a alegada ingerência de Donald Trump, a favor de Asfura.

 

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