Presidente Gloria Arroyo promete acabar com a corrupção em três anos

A presidente das Filipinas, Gloria Macapagal Arroyo, assegurou hoje, durante as celebrações do 107º aniversário da independência do país, que acabará com a corrupção no governo num prazo de três anos.

Agência LUSA /

"Em três anos, o governo estará livre da corrupção. Queremos acabar com a corrupção causada pelo jogo ilegal", disse Gloria Arroyo, que sábado foi alvo de fortes críticas da oposição numa grande manifestação pública de protesto em Manila, durante a qual foi exigida a sua demissão da presidência.

As declarações da presidente seguem-se à campanha de descrédito iniciada em Março contra o seu marido, José Miguel Arroyo, e seu filho, Juan Miguel Arroyo, acusados de beneficiarem de dinheiro proveniente do jogo ilegal.

Uma acusação semelhante deu origem aos movimentos de protesto contra o ex-presidente Joseph Estrada, obrigado a abandonar a liderança do Estado após uma revolta popular e pacífica apoiada pelo Exército e pela Igreja, em Janeiro de 2001.

A campanha de descrédito contra a presidente filipina intensificou-se esta semana com o surgimento de acusações sobre o seu envolvimento na manipulação dos resultados das eleições em Maio de 2004, das quais saiu vencedora.

Cerca de 4.000 pessoas participaram sábado em Manila numa "reunião de oração" contra o governo, que terminou em comícios políticos nos quais a oposição reiterou os pedidos de renúncia da presidente Gloria Macapagal Arroyo.

Seis mil soldados e polícias foram mobilizados para assegurar a ordem pública na rua, na perspectiva de estas manifestações anti- governamentais por ocasião das festas da independência poderem derrapar para incidentes de violência.

Os representantes da oposição, segundo difundiu o canal de televisão local ABC, defenderam que Arroyo não pode continuar a governar durante os cinco anos que lhe restam na presidência se não tiver a credibilidade dos cidadãos.

A embaixada dos Estados Unidos em Manila advertiu sexta-feira que o governo norte-americano se opõe a "qualquer tentativa extra- constitucional" contra a administração de Gloria Macapagal Arroyo, uma aliada fiel do presidente George W. Bush.

Segundo uma sondagem recente, apenas 26 por cento dos filipinos estão satisfeitos com ela, contra 59 por cento de descontentes. Só o antigo ditador Ferdinando Marcos, que governou de 1965 a 1986, conheceu uma taxa de popularidade tão baixa.

O descontentamento toca até a Igreja, muito poderosa num país onde a grande maioria dos 84 milhões de habitantes é católica.

Esta oposição crescente alimenta rumores de golpe de Estado recorrentes no arquipélago, mas que redobraram de amplitude nestes últimos tempos.

Nas Filipinas, é notório um descontentamento crescente das camadas populares perante uma pobreza endémica, e dos homens de negócios face a uma nova legislação fiscal.

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