Presidente israelita admite indultar Netanyahu se este se demitir

por RTP
Reuven Rivlin (à dir.), com Benjamin Netanyahu Ronen Zvulun, Reuters

O chefe do Estado israelita, Reuven Rivlin, acenou ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu com um compromisso que poderá livrá-lo de ir para a cadeia por corrupção: em troca de uma confissão de culpa e de um demissão da chefia do Governo, Rivlin poderia oferecer um perdão a Netanyahu.

Segundo o diário conservador israelita Jerusalem Post, Netanyahu, de visita a Lisboa, ainda não reagiu à ideia do presidente, embora anteriormente tenha sempre contrariado quaisquer sugestões de um perdão presidencial.

Já há muito que diversas vozes próximas do acossado primeiro-ministro vêm tentando convencê-lo a mostrar receptividade a uma solução que passe por um perdão, um indulto ou uma amnistia. Uma dessas vozes foi a do seu advogado Jacob Weinroth, que todavia não obteve acolhimento junto de Netanyahu. Weinroth faleceu há cerca de um ano.

A notícia sobre a disponibilidade de Reuven Rivlin para assinar um perdão a Netanyahu surgiu na noite dequarta feira no Channel 12. Segundo aquela estação de televisão, o procurador-geral Avichai Mandelblit é favorável a um perdão presidencial como solução para o imbroglio judicial em que se afunda a política israelita.

A mesma fórmula de solução também já surgiu na voz de responsáveis religiosos. Na semana passada, a plataforma digital israelita Arutz Sheva noticiara uma carta de vários rabinos sionistas a Reuven Rivlin, alertando para a "crise política e legal sem precedentes" e manifestando preocupação porque "esta crise ameaça a capacidade do sistema político para lidar com os complexos desafios que o Estado de Israel hoje enfrenta".

Acto contínuo, os rabinos sugeriam ao presidente uma troca semelhante à que agora vem a público como estando a ser subscrita por Rivlin: "Pedimos-lhe que oferece ao primeiro-ministro um perdão total no momento em que ele se demitir do cargo".

Uma nuance entre a solução agora atribuída ao presidente e a que sugeriam os rabinos diz respeito, contudo, à exigência de confissão de culpa que Rivlin estaria a fazer condicionar o perdão. Para os rabinos, diferentemente, "uma iniciativa assim, que não inclui culpa nem absolvição, parece-nos ser a única forma de sair do beco em que nos encontramos".

Mas não há até agora nenhuma declaração formal, quer de Rivlin quer de Mandelblit, formulando os contornos da suposta solução. Mas intensificam-se as pressões no sentido de ser aceite uma fórmula de perdão em troca de confissão e demissão, vista a iminência de uma terceira eleição em pouco tempo, e também ela com o risco de ser inconclusiva e de, mais uma vez, produzir um Knesset ingovernável.
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