Presidente sírio afirma que resistirá com "mão de ferro" às tentativas para o afastar

Damasco, 10 jan (Lusa) -- O presidente sírio, Bashar al-Assad, afirmou hoje que vai resistir com "mão de ferro" às tentativas para o afastar e que não vai abandonar o poder, insistindo que continua a ter apoio popular.

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No quarto discurso que pronunciou desde o início da revolta popular no país, há 10 meses, Al-Assad voltou a acusar interesses estrangeiros e terroristas de tentarem desestabilizar o país e a assegurar que não deu ordens para que as forças de segurança disparassem sobre civis.

"A nossa prioridade agora é recuperar a segurança de que gozámos ao longo de décadas e isto só pode ser alcançado se enfrentarmos os terroristas com mão de ferro", disse Assad no discurso, pronunciado na Universidade de Damasco e transmitido pela televisão estatal.

"Não seremos clementes com aqueles que trabalham com interesses estrangeiros contra o país", disse.

Assad criticou igualmente a Liga Árabe, afirmando que a organização fracassou na proteção dos interesses árabes. A Liga Árabe suspendeu a Síria dos seus trabalhos e enviou uma missão de observadores para verificar o cumprimento pelas autoridades do plano que Al-Assad aceitou a 19 de dezembro.

"A Liga Árabe falhou durante seis décadas na proteção dos interesses árabes. Não devemos surpreender-nos por voltar hoje a falhar", disse.

No discurso, Assad anunciou que o referendo à nova Constituição síria será em março.

"Quando a comissão sobre a nova Constituição tiver terminado os trabalhos, haverá um referendo popular, porque é uma questão que interessa a todos. O referendo será realizado na primeira semana de março", disse.

"Declararemos vitória em breve. Governo por vontade do povo e quando sair deste cargo será também por vontade do povo", afirmou.

O presidente sírio acusou centenas de `media` de tentarem "empurrar (a Síria) para o colapso", considerando que até agora "fracassaram, mas não desistiram".

Para o presidente sírio, os `media` internacionais tentaram "falsificar a entrevista à cadeia norte-americana" ABC, acusação que já tinha feito no início de dezembro, quando acusou a estação de ter "deliberadamente" deturpado as suas declarações.

Nessa entrevista, Assad negou qualquer responsabilidade na morte de manifestantes e afirmou que apenas "um louco" podia ordenar que se disparasse contra o seu próprio povo.

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