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Previsto para as próximas horas cessar-fogo entre Israel e Hamas
O Gabinete de Segurança do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, anunciou esta quinta-feira que votou unanimemente a favor de um cessar-fogo que interrompe a intervenção militar a decorrer na Faixa de Gaza há 11 dias. Por sua vez, um oficial do Hamas confirmou que a trégua entrará em vigor às 02h00 locais (23h00 GMT)
O gabinete de Benjamin Netanyahu anunciou que aceitou por unanimidade uma proposta do Egito para um cessar-fogo "bilateral e incondicional" na Faixa de Gaza, sublinhando que Israel alcançou "grandes conquistas durante a operação, algumas das quais sem precedentes".
"O Gabinete [de Segurança do primeiro-ministro israelita] aceitou unanimemente a recomendação de todos os oficiais de segurança (...) de aceitar a iniciativa egípcia de um cessar-fogo bilateral incondicional", lê-se no comunicado divulgado pelo Estado hebreu.
Na declaração, o Gabinete de Segurança Política afirma que a trégua entrará em vigor "numa data posterior", mas o movimento islamista Hamas tinha confirmado momentos antes que o cessar-fogo terá início às duas da manhã desta sexta-feira (00h00 em Lisboa). Ali Barakeh, um oficial do Hamas, disse à agência Associated Press que a declaração de cessar-fogo foi uma derrota para Netanyahu e "uma vitória para o povo palestiniano".
Minutos após o anúncio de ambas as partes envolvidas no conflito, as sirenes voltaram a soar em Israel, a indicar que foram disparados rockets a partir de Gaza. Do lado do enclave palestiniano, também surgiram relatos de novos ataques aéreos israelitas. Até ao momento não há confirmação de novas vítimas mortais.
O presidente egípcio, Abdul Fatah Khalil Al-Sisi, confirmou que a trégua terá início às 02h00 locais e ordenou que duas delegações de segurança em Israel e nos territórios palestinianos trabalhem para manter o cessar-fogo.
O anúncio do cessar-fogo era esperado, uma vez que Telavive e o Hamas já tinham anunciado a intenção de chegar a este acordo, apesar dos bombardeamentos na Faixa de Gaza que continuaram durante esta quinta-feira e que motivaram uma resposta, novamente, com recurso a foguetes a partir do território palestiniano.
O acordo chega um dia depois de o presidente norte-americano, Joe Biden, ter pressionado Israel a acabar com o conflito. Durante um telefonema com Netanyahu, Biden transmitiu ao primeiro-ministro israelita “que esperava uma desaceleração significativa da violência em direção a um cessar-fogo”.
Apesar de Netanyahu não se ter mostrado imediatamente sensível aos apelos de Biden e de ter anunciado que estava "determinado a manter a operação" até alcançar os seus objetivos, a Casa Branca disse acreditar que Israel alcançou "objetivos militares significativos" e está em posição de reduzir as operações.
O cessar-fogo colocará, assim, um ponto final àqueles que são os piores conflitos na região em sete anos. Desde o início da escalada do conflito, a 10 de maio, há registo de 232 mortes entre os palestinianos, incluindo 65 crianças. Do lado israelita, pelo menos doze pessoas morreram, incluindo duas crianças. Há milhares de feridos a reportar.
O conflito veio aumentar o número de desalojados na Faixa de Gaza, estimando-se que cerca de 58 mil palestinianos tenham sido forçados a fugir de suas casas. Os bombardeamentos por parte de Israel danificaram várias infraestruturas do lado do enclave palestiniano, incluindo 50 estabelecimentos de ensino, 18 hospitais e um centro de saúde, segundo aponta a Organização Mundial da Saúde.
As forças militares israelitas estimam que mais de quatro mil rockets foram disparados a partir da Faixa de Gaza contra território israelita. Destes, 90 por cento foram intercetados pelo sistema de defesa de Israel conhecido por Iron Dome.