Primeira dama da Turquia enaltece o papel do harém

Emine Erdogan, a mulher do presidente turco, afirmou ontem numa cerimónia oficial que a instituição do harém era "uma escola que preparava as mulheres para a vida". A afirmação surge na sequência de uma acesa polémica em torno de declarações do marido sobre o Dia Internacional da Mulher.

RTP /
Emine Erdogan, ao lado do marido Ivan Alvarado, Reuters

A instituição do harém é habitualmente abominada na doutrina oficial da República turca, que foi estabelecida no primeiro quartel do século XX como Estado laico e moderno por Mustapha Kemal Atatürk. Para esta doutrina, o harém era um dos símbolos da arbitrariedade do sultão otomano, e da opressão das suas várias mulheres e escravas.

Mas o partido fundamentalista islâmico que levou ao poder o presidente Recep Tayip Erdogan tem vindo a pôr em causa os fundamentos laicos da República e, nomeadamente, o estatuto que as mulheres conseguiram alcançar durante o século XX.

A propósito do Dia Internacional da Mulher, 8 de março, declarou o presidente que o papel da mulher é, "acima de tudo" como mãe. Erdogan afirmou ainda que as mulheres devem ter pelo menos três filhos e que qualquer tentativa de controlo de natalidade é "uma traição". As declarações do presidente imediatamente desencadearam protestos de milhares de pessoas nas ruas de Ankara.

Como que em resposta a estes protestos, a mulher do presidente, Emine Erdogan, afirmou então que "o harém era uma escola para membros da dinastia otomana e um estabelecimento educacional que preparava as mulheres para a vida".

Num ambiente de crescentes ataques contra a liberdade de imprensa, a declaração de Emine Erdogan é ignorada na versão em inglês do diário Hurryiet, mas recebe um eco e um destaque generosos na televisão russa RT.
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