Primeira juíza negra do Brasil nomeada secretária de Promoção da Igualdade Racial
A desembargadora aposentada Luislinda Valois, a primeira juíza negra do Brasil, foi hoje nomeada para secretária de Promoção da Igualdade Racial no governo interino.
A nomeação foi publicada no Diário Oficial da União de hoje e assinada pelo Presidente interino, Michel Temer, que foi muito criticado por ter constituído um governo interino sem negros ou mulheres.
"Pretendo dar sequências ao trabalho que está sendo feito e criar novas ações para a inclusão do negro nos espaços de poder. Essa secretaria é uma forma de, pelo menos, amenizar o sofrimento do povo negro. Não resolve o problema, não resolve toda a dívida que o Brasil tem com os seus afrodescendentes", disse, em declarações ao portal de Internet G1.
A secretaria pertencia ao Ministério das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos no governo da Presidente Dilma Rousseff - que tem o mandato suspenso enquanto decorre o processo da sua destituição no Senado -, mas foi extinta após a redução ministerial imposta por Michel Temer e integrada no Ministério da Justiça.
Desde que o governo interino assumiu funções, a 12 de maio, Michel Temer respondeu aos críticos ao nomear também a professora Flávia Piovesan para a Secretaria de Direitos Humanos e a ex-deputada Fátima Pelaes para a Secretaria de Políticas para Mulheres.
Michel Temer também nomeou Maria Silvia Bastos Marques para presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES).
Luislinda Valois tornou-se na primeira juíza negra no Brasil em 1984 e foi também a primeira autora de uma sentença de condenação por racismo no país.
Em 2012, a nova secretária de Promoção da Igualdade Racial foi condecorada com o título de embaixadora da paz da Organização das Nações Unidas (ONU).
A desembargadora também criou, em 2003, o projeto Balcão de Justiça e Cidadania, com o objetivo de facilitar o acesso da população carente aos serviços judiciários.