Primeira-ministra do Japão classifica China como um "vizinho importante"
A primeira-ministra do Japão classificou hoje a China como um "vizinho importante" e comprometeu-se a estabelecer uma relação estável entre as duas nações, num discurso sobre a política geral proferido no parlamento nipónico.
"A China é um vizinho importante e, apesar das dificuldades, construímos ao longo dos anos uma relação duradoura", declarou Sanae Takaichi perante a Dieta, o parlamento japonês, citada pela comunicação social do país.
"Trabalharemos no sentido de garantir a comunicação sobre os desafios comuns, promover o diálogo para preservar os nossos interesses nacionais e construir uma relação construtiva e estável", prometeu Takaichi.
Não obstante, o Japão "afirmará com firmeza as posições do nosso país" e "exigirá veementemente um comportamento responsável", acrescentou a líder do Governo.
As relações diplomáticas entre os gigantes económicos asiáticos atravessam um período particularmente sombrio desde que Takaichi sugeriu, em novembro, também num discurso perante o parlamento, que Tóquio poderia intervir em caso de um ataque contra Taiwan, que Pequim reivindica como seu território.
O discurso da chefe do Governo nipónico ocorre após uma reunião, em 28 de setembro, em Pequim, entre o chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, e um antigo ministro dos Negócios Estrangeiros japonês, Takeshi Iwaya, que liderou uma delegação comercial à capital chinesa.
Durante o encontro, Wang sublinhou que as relações entre os dois países "precisam de regressar à normalidade" e instou Tóquio a corrigir a sua postura em relação a Taiwan.
No domínio económico, Sanae Takaichi reafirmou, sem elaborar, o compromisso do seu Governo em responder com "flexibilidade" à economia e aos mercados, particularmente nervosos com a política de despesas públicas a longo prazo da primeira-ministra.
Apesar de índices de aprovação invulgarmente elevados, um ano após assumir o cargo, Takaishi enfrenta desafios importantes no domínio económico, incluindo o aumento da inflação, forte depreciação da moeda, e preocupações do mercado relativamente ao endividamento crescente do Japão e à disputa diplomática com a China.
A chefe do Governo referiu-se ainda ao declínio demográfico no país e comprometeu-se a formular uma estratégia abrangente até ao final do ano, para dar resposta a uma "crise nacional que avança silenciosamente".
O número de japoneses a viver no país caiu abaixo de 120 milhões pela primeira vez em 42 anos, de acordo com dados oficiais divulgados em julho.
O discurso de hoje deu início a uma sessão parlamentar que se prolongará até dezembro e onde serão debatidos vários projetos de lei, incluindo planos para reduzir o imposto sobre o consumo de alimentos durante dois anos, para mitigar o impacto da inflação na vida quotidiana dos eleitores.
O discurso da primeira-ministra incluiu ainda o compromisso de apoiar o Tribunal Penal Internacional, depois de os Estados Unidos terem imposto sanções à presidente do tribunal, a japonesa Tomoko Akane, em agosto.