Primeira-ministra italiana diz que nostalgia do fascismo não cabe na direita parlamentar
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, disse hoje que os partidos parlamentares de direita "declararam a sua incompatibilidade com qualquer nostalgia do fascismo" e que a festa da liberdade é um "momento de harmonia nacional".
As afirmações de Meloni, eleita pelo partido da extrema-direita, foram feitas numa carta publicada hoje pelo diário "Corriere della Sera", no dia em que se comemora a festa da "libertação do nazifascismo".
Meloni escreveu esta carta após as polémicas declarações de alguns membros do seu partido, Irmãos da Itália, como o presidente do Senado, Ignazio La Russa, que declarou que a Constituição italiana não era "antifascista".
A associação dos guerrilheiros italianos (ANPI), aqueles que lutaram contra a ocupação nazi e o fascismo, pediu esta segunda-feira que o Governo declare publicamente o seu "antifascismo".
No seu primeiro 25 de Abril como primeira-ministra, Meloni espera que as suas reflexões publicadas no jornal "contribuam para fazer deste aniversário um momento de redescoberta da harmonia nacional", onde a celebração da nova liberdade os ajude "a entender e a fortalecer o papel da Itália no mundo como baluarte indispensável da democracia".
"Desde o 25 de Abril [de 1945], nasceu na Itália uma democracia em que ninguém estaria disposto a abrir mão das liberdades conquistadas. Isto é, a liberdade e a democracia são património de todos, quer os que a desejaram quer os que não. E esta não é apenas a maior conquista de que a nossa nação se pode orgulhar, mas o único verdadeiro antídoto contra qualquer risco autoritário", escreve Meloni.
A primeira-ministra acrescenta que "o fruto fundamental do 25 de Abril foi, e continua a ser sem dúvida, a afirmação dos valores democráticos, que o fascismo espezinhara, e que encontramos inscritos na Constituição republicana".