Primeiro-ministro das Ilhas Cook perto da reeleição com maioria parlamentar à vista

Primeiro-ministro das Ilhas Cook perto da reeleição com maioria parlamentar à vista

O primeiro-ministro das Ilhas Cook, Mark Brown, deve conquistar um segundo mandato à frente do Governo desta nação do Pacífico Sul, após o partido que lidera ter conquistado uma maioria no parlamento.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Caitlin Ochs - Reuters

A votação para um dos 24 assentos parlamentares do país de 17 mil habitantes, que é composto por 15 ilhas, ainda está a decorrer, com o mau tempo a impedir que responsáveis eleitorais chegassem à ilha de Nassau no início da semana, sendo os resultados esperados ao final do dia de hoje.

No entanto, o Partido das Ilhas Cook, um movimento nacionalista que governa o país desde 2010, celebrava já a vitória depois de ter conquistado 12 assentos, o que garante um quinto mandato no poder.

É necessária uma maioria de 13 assentos para formar Governo, mas o partido de Brown já se coligou anteriormente com deputados independentes para aprovar leis.

"Hoje o meu coração está cheio de gratidão", escreveu Brown na rede social Facebook. "Obrigado a todos os que saíram de casa para votar, por participarem e fazerem ouvir a vossa voz. É isto que torna o nosso país forte", acrescentou.

No assento ainda por decidir, um deputado cessante, membro do partido de Brown, vai disputar a eleição com um candidato independente.

Antes da votação realizada na quarta-feira, a imprensa apontou a inflação e o custo de vida com as principais preocupações dos eleitores.

A guerra no Irão provocou ansiedade económica em todo o Pacífico Sul, onde nações pequenas e remotas estão fortemente dependentes de produtos importados, incluindo combustível para a geração de eletricidade.

No entanto, os resultados preliminares mostraram que o Partido Unido das Ilhas Cook, que se separou do grupo de Brown em 2018, obteve apenas quatro assentos, face aos três alcançados em 2022.

O Partido Democrático, de tendência social-liberal, que anteriormente detinha cinco assentos e liderava a oposição, ficou totalmente fora do parlamento. Numa reviravolta surpreendente, a líder do partido, Tina Pupuke-Browne, perdeu o lugar por três votos, ao fim de oito anos em funções.

O resultado parece indicar que Brown saiu ileso de uma controvérsia iniciada em 2025, quando se desentendeu com a Nova Zelândia devido a um conjunto de acordos que assinou com Pequim.

As Ilhas Cook são um país autónomo com uma relação de livre associação de 60 anos com a Nova Zelândia, o que significa que são defendidas pelas forças armadas neozelandesas e os seus cidadãos possuem passaporte da Nova Zelândia.

Esta ligação estreita exige que os líderes das Ilhas Cook consultem Wellington antes de celebrarem pactos com outros países que possam afetar a Nova Zelândia.

Quando Brown assinou uma série de acordos de cooperação com Pequim em fevereiro de 2025, defendeu a decisão de não consultar Wellington.

A Nova Zelândia discordou e o impasse crescente levou Wellington a congelar milhões de euros em financiamento às Ilhas Cook.

As relações tensas suavizaram-se em abril, quando os dois países assinaram um pacto de defesa que firmou a Nova Zelândia como o "parceiro de preferência das Ilhas Cook em matérias de defesa e segurança". Wellington temia a perspetiva de a China vir a ocupar esse papel.

Nos últimos anos, Pequim tem disputado com as potências ocidentais a influência e o estreitamento de laços com os líderes das Ilhas do Pacífico, cujos países pequenos e frequentemente dependentes de ajuda externa estão situados numa zona marítima, vasta, lucrativa e estrategicamente importante.

Quando as relações se deterioraram, em 2025, Pupuke-Browne acusou Brown de pôr em risco os laços com a Nova Zelândia, onde milhares de cidadãos das Ilhas Cook vivem, trabalham e estudam.

Mark Brown é também um defensor do desenvolvimento da indústria de mineração em águas profundas na vasta e potencialmente rica zona económica exclusiva das Ilhas Cook. O assunto tem dividido líderes por todo o Pacífico, com os críticos a alertarem que a prática pode prejudicar ecossistemas marinhos frágeis.

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