Primeiro-ministro do Canadá descreve massacre como ato de `crueldade inaudita`
O Primeiro-Ministro canadiano, Mark Carney, classificou como um ato "de uma crueldade inédita" o massacre que ocorreu na terça-feira numa escola secundária numa região remota do oeste do país e resultou em nove mortos, incluindo crianças.
"Na manhã de ontem [terça-feira], pais de Tumbler Ridge enviaram os seus filhos para a escola; alguns nunca mais poderão abraçá-los", declarou, com a voz embargada, o chefe do governo perante o Parlamento, que fez hoje um minuto de silêncio pelas vítimas.
"O que aconteceu mergulhou a nossa nação em choque e a todos nós em luto", acrescentou Carney.
O Canadá está de "luto", depois do massacre que fez nove mortos numa pequena cidade isolada do oeste do país, onde uma pessoa abriu fogo numa escola secundária.
"Vamos superar essa provação. Vamos aprender com ela", assegurou o Primeiro-Ministro, apelando aos canadianos para que se "unam" num país em choque, pouco habituado a massacres deste tipo, ao contrário do país vizinho, os Estados Unidos.
As bandeiras dos edifícios governamentais estarão a meia haste durante uma semana.
O ataque ocorreu em Tumbler Ridge, uma pequena cidade isolada de cerca de 2.300 habitantes na base das Montanhas Rochosas, na província da Colúmbia Britânica, a várias horas de carro de qualquer centro urbano.
Segundo o primeiro "alerta" enviado na terça-feira pela polícia aos habitantes, o suspeito foi descrito como "uma mulher morena com um vestido".
Mas as autoridades não confirmaram. O suspeito, cujo género é alvo de especulação, terá morrido após "uma ferida que ele próprio terá infligido", segundo a polícia.
Ken Floyd, um responsável da polícia canadiana, manteve-se cauteloso, mas indicou que o atirador era de facto a pessoa mencionada no alerta.
Vinte e sete pessoas também ficaram feridas, das quais duas delas em estado grave, indicou a Gendarmaria Real do Canadá.
Nina Krieger, ministra da Segurança Pública da província, referiu "uma das piores matanças em massa da história" do Canadá.
"Vamos reunir-nos e tratar de ouvir aqueles que querem falar" após esta "grande tragédia", declarou Darryl Krakowka, o presidente da câmara de Tumbler Ridge, à estação pública CBC.
Mark Carney não planeia deslocar-se ao local, mas o ministro canadiano da Segurança Pública, Gary Anandasangaree e o Primeiro-Ministro da província, David Eby, deslocam-se hoje ao local.
A família real britânica declarou estar "profundamente chocada e entristecida" por esta tragédia, num comunicado do rei Carlos III, também Chefe de Estado do Canadá.
"O horror atingiu (...). Pêsames para as famílias das vítimas, para os feridos e para toda a comunidade educativa. A França está ao lado dos canadianos", afirmou o presidente francês Emmanuel Macron na rede social X.
Este é o segundo massacre no Canadá em menos de um ano.
Em abril de 2025, um homem matou 11 pessoas em Vancouver, ao avançar com o seu camião sobre uma multidão que celebrava um festival cultural filipino.
Este tipo de ataque é excecional nas escolas canadianas. Acontece numa cidade mineira conhecida pelo seu turismo de natureza, com a proximidade das montanhas e de um parque geológico.
Darian Quist, aluno da escola, explicou à CBC que estava numa aula de mecânica quando lhes anunciaram o ataque à escola. "Pegámos em mesas e barricámos as portas durante mais de duas horas" até à chegada da polícia, relatou.
O primeiro alerta, no início da tarde, dizia respeito a um atirador na escola.
Quando as autoridades chegaram ao local descobriram inicialmente seis corpos, sem contar com o suspeito. Uma sétima pessoa ferida por bala morreu durante o transporte para o hospital. Posteriormente, a polícia "identificou um segundo local (...) relacionado com o ataque, onde foram encontradas mais duas vítimas mortas.