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Primeiro-ministro israelita admite que lei da nacionalidade é "um insulto" a cidadãos não-judeus
O primeiro-ministro israelita Yair Lapid admitiu hoje que a lei do Estado-nação é discriminatória para a minoria árabe israelita e prometeu revogá-la se ganhar as eleições. Yair Lapid prometeu também que não permitirá qualquer alteração no estatuto do Monte do Templo.
Yair Lapid lembrou também que já antes se tinha oposto à aprovação daquela lei, que foi alvo de críticas veementes por parte da ONU e de diversas organizações de direitos humanos: "Na altura, eu opus-me fortamente à lei do Estado-nação e disse no plenário do Knesset [parlamento israelita]: 'O Estado não humilhará os seus cidadãos'. A lei do Estado-nação tal como hoje está escrita é um insulto aos cidadãos israelitas não judeus e tem de ser emendada".
Segundo citação do diário israelita Jerusalem Post, Lapid afirmou ainda: "Oponho-me à lei do Estado-nação, penso que ela devia ser mudado e que devia ser-lhe acrescentada uma secção sobre igualdade civil. Houve conversações sobre isto, de ser acrescentada uma secção à lei fundamental: dignidade humana e liberdade".
No que parece ser uma iniciativa de charme dirigida ao eleitorado árabe israelita, Lapid referiu-se a um outro problema candente, o do Monte do Templo, que minorias fundamentalistas judaicas têm vindo a reclamar para si próprias, com a consequente erradicação do culto islâmico aí praticado: "Trataremos de garantir a liberdade de culto dos muçulmanos em al-Aqsa, para poderemo lá ir rezar. Permitiremos a visitantes judeus irem lá acima, mas não para rezarem. Eles vão e as visitas ficam sob supervisão, para se garantir que o status quo não é violado".
O primeiro-ministro israelita em exercício reiterou ainda o seu apego à solução de dois Estados para a Palestina, por continuar a pensar que "temos de separar-nos dos palestinianos".