Primeiro voo comercial do Concorde foi há 50 anos: será que o avião supersónico vai voltar em breve?

Por pouco mais de um milhão de francos franceses na época, ou nove mil euros hoje, algumas dezenas de privilegiados poderiam chegar ao Rio de Janeiro no Brasil, via Dakar a partir de Paris, ou ao Bahrein a partir de Londres, sentindo a aceleração fulgurante do supersónico.

Um Olhar Europeu com RTBF /
Daniel Janin - AFP


Reconhecível à primeira vista, o avião é uma maravilha tecnológica, com uma fuselagem de geometria variável - a posição do "nariz" pode ser adaptada para otimizar o desempenho - o avião é capaz de voar ao dobro da velocidade do som ou cerca de 2150 km/h a uma altitude de 19.000 metros, com capacidade de transportar 100 passageiros.
Concorde, uma aventura franco-britânica
Fruto de um acordo intergovernamental assinado em 29 de novembro de 1962 entre a França e o Reino Unido, era para ser o primeiro avião de transporte civil supersónico, capaz de voar entre dois continentes em tempo recorde. No entanto, só a 22 de novembro de 1977 é que foi inaugurado um serviço para Nova Iorque. A duração do voo foi de 3h30.

Por detrás desta ambição industrial estão desafios económicos e tecnológicos.

A sua conceção foi um verdadeiro laboratório tecnológico. Exigia a resolução de problemas sem precedentes: asa delta em forma de triângulo, nariz inclinado, comandos de voo eléctricos, materiais capazes de resistir a temperaturas extremas, travagem por carbono, etc.Um feito tecnológico mas um avião economicamente frágil
No entanto, em termos económicos, o modelo revela-se frágil. O Concorde consome tanto combustível como um Boeing 747 para cinco vezes menos passageiros. A manutenção é muito dispendiosa. Um bilhete transatlântico custa entre 8.000 e 10.000 euros. O Concorde, operado exclusivamente pela Air France e pela British Airways, impôs-se sobretudo como um avião de prestígio. Os políticos, as estrelas e os presidentes de empresas apoderam-se dele. Diz-se, por exemplo, que Phil Collins atravessou o Atlântico num Concorde para dar dois concertos no mesmo dia: um em Londres e outro em Filadélfia.Ano 2000, o ponto de viragem decisivo
A 25 de julho de 2000, a jóia da coroa da aviação civil franco-britânica incendiou-se ao descolar de Roissy, em Paris, antes de se despenhar contra um hotel em Gonesse, a poucos quilómetros de distância, matando 113 pessoas.

O acidente, o aumento dos custos de manutenção e as consequências dos atentados de 11 de setembro de 2001 puseram termo à sua exploração comercial a 27 de junho de 2003.

De prestígio industrial, o pássaro branco está a tornar-se um Vietname industrial, disseram então os deputados franceses. A despesa pública acumulada da França e do Reino Unido está estimada em cerca de 20 mil milhões de euros, para um retorno do investimento próximo de zero. Portanto, foi também um crash económico.

Georges Gobet / AFP
Um imenso legado para a França
Hoje, o Concorde faz parte de um património científico e técnico evidente. Dos 20 aviões construídos entre 1967 e 1979, 18 foram conservados. Vários estão expostos em museus em França, no Reino Unido e nos Estados Unidos. Em maio último, a França classificou o Concorde número um como monumento histórico, o que é inédito para um avião deste tipo.

Existe, evidentemente, um enorme legado industrial. As tecnologias criadas para o Concorde foram utilizadas na Airbus, no comboio de alta velocidade TGV, nos motores, nos materiais compósitos, nos sistemas de travagem, na simulação de voo e nos comandos eléctricos. Algumas das inovações desenvolvidas para o Concorde podem mesmo ser encontradas nas frigideiras Tefal.Será que o avião supersónico vai renascer?
No entanto, o sonho do voo supersónico continua a assombrar a indústria da aviação. É preciso dizer que a tecnologia deu passos gigantescos desde a conceção do Concorde, permitindo almejar grandes avanços, tanto em termos de redução do ruído como de custos ambientais.

Entre os candidatos na corrida para o "novo Concorde" está a empresa americana Boom Technology, cujo demonstrador, o XB-1, alcançou marcos históricos. Por seu lado, a NASA e a Lockheed Martin estabeleceram uma parceria para criar o X-59, um avião supersónico experimental. Concebido para transformar o estrondo supersónico num simples "splash" sónico - o equivalente a uma porta de carro a bater - o avião fez o seu tão esperado voo inaugural em outubro passado. Mas ainda não existe uma versão economicamente viável.

Diane Burghelle-Vernet / 21 janeiro 2026 10:10 GMT

Edição e Tradução / Joana Bénard da Costa - RTP
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