Primeiro voo direto dos EUA em 7 anos aterra em Caracas
O primeiro voo comercial direto entre Estados Unidos e Venezuela nos últimos sete anos aterrou hoje no aeroporto Simón Bolívar de Maiquetía, perto de Caracas, proveniente de Miami, numa nova etapa nas relações entre os dois países.
Homens de negócios, representantes do governo norte-americano, assim como uma multidão de jornalistas, encontravam-se a bordo do voo 3599 da Envoy Air, subsidiária da American Airlines, que partiu de Miami de manhã e aterrou às 13h15 locais (17h15 GMT), no aeroporto da capital venezuelana.
Como manda a tradição para a inauguração de uma nova rota, o avião foi "batizado" na pista, no caso, por dois camiões dos bombeiros.
Não havia voos comerciais entre os Estados Unidos e a Venezuela desde 2019, ano da rutura diplomática entre os dois países.
Vários responsáveis venezuelanos e norte-americanos receberam hoje o avião na pista, enquanto numerosos viajantes tiravam `selfies`.
A aterragem do voo marca o fim do isolamento da Venezuela em relação aos Estados Unidos, mas também a reintegração do país no comércio aéreo mundial, após o seu afastamento no final de 2025.
Desde a captura do ex-presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, em janeiro de 2026, Washington e o governo da Presidente interina venezuelana, Delcy Rodriguez, esforçam-se por normalizar os laços em todos os domínios.
O Presidente Donald Trump tem flexibilizado gradualmente as sanções à Venezuela, que fez aprovar novas leis para os hidrocarbonetos e o setor mineiro, abrindo estes setores aos privados, num país com as maiores reservas de petróleo do mundo.
"Hoje marca uma nova etapa histórica nas relações" entre os dois países, assegurou o chefe da missão diplomática norte-americana na Venezuela, John Barrett, no aeroporto de Maiquetía.
"Estamos a enviar um novo sinal claro ao mercado mundial: `a Venezuela pode estar aberta aos negócios`. Ao restabelecer a ligação entre Miami e Caracas, os Estados Unidos e a Venezuela retomam uma artéria comercial essencial que vai acelerar o investimento, reconstruir as cadeias de abastecimento e reforçar os laços entre os nossos povos", acrescentou.
A ministra venezuelana dos Transportes, Jacqueline Faria, realçou que o país vai saindo progressivamente do isolamento, devendo receber "mais de 100.000 passageiros por ano".
"As companhias europeias já regressaram, a companhia norte-americana está a chegar. América do Sul, Ásia, África... É um prazer receber estes voos, porque significam ligações, desenvolvimento, produtividade", disse Faria.
A Envoy Air assegurará uma rota diária com a Florida, onde vive uma importante diáspora venezuelana (cerca de 250.000 pessoas).
A companhia aérea venezuelana Laser Airlines oferecerá a mesma ligação a partir de 01 de maio.
Os bilhetes para o voo inaugural foram vendidos por 3.000 dólares norte-americanos, mas os preços deverão baixar com a multiplicação das ligações, nomeadamente para o Texas ou desde Maracaibo, capital petrolífera venezuelana.
"É maravilhoso. Vai tornar a nossa vida mais fácil", afirma Oscar Fuentes, advogado de 64 anos, que estava na fila de check-in para o voo de regresso a Miami.
"Antes, era preciso viajar para Punta Cana (República Dominicana), de Punta Cana para Fort Lauderdale (Flórida), de Fort Lauderdale para o meu destino, Houston (Texas). Esta noite, vou dormir em casa! Noutras viagens, nem sabíamos onde íamos dormir", continuou.
Contudo, o Departamento de Estado norte-americano continua a desaconselhar os cidadãos norte-americanos a deslocarem-se para a Venezuela, conforme o seu último aviso de viagem de 19 de março.