Principal suspeito das cartas com antrax teve acesso a quantidades elevadas de veneno
Washington, 06 Ago (Lusa) - O cientista Bruce Ivins, principal suspeito do caso das cartas com `antrax` que se suicidou recentemente, teve acesso a quantidades elevadas de células que continham "algumas mutações genéticas idênticas" ao veneno que matou cinco pessoa nos Estados Unidos, em 2001.
Esta informação consta de documentos tornados hoje públicos relacionados com a investigação do caso das cartas com `antrax`.
O levantamento do segredo de justiça em relação aos documentos relativos à investigação dos ataques com `antrax` foi decretado hoje por um juiz federal norte-americano, uma semana depois do suicídio do principal suspeito do caso, Bruce Ivins, um biólogo que trabalhava para o Governo.
As cartas com `antrax`, que foram enviadas para meios de comunicação social e grandes instituições, em Outubro e Novembro de 2001, provocaram a morte de cinco pessoas.
Ainda segundo os documentos agora tornados públicos, durante a investigação, Bruce Ivins foi incapaz de dar "uma explicação adequada" para justificar as horas tardias a que saia do laboratório na altura dos ataques e tentou enganar os investigadores.
A documentação relativa à investigação sobre o caso das cartas com `antrax` releva ainda que dias antes dos ataques o cientista escreveu um e-mail a avisar que Osama Bin Laden tinha `antrax` e tinha declarado guerra aos Estados Unidos da América e a Israel.
Os inspectores referem também que a linguagem utilizada nos e-mails era similar às palavras utilizadas nas cartas com `antrax`.
Os documentos revelam igualmente que o FBI realizou buscas à casa, carro, computador e cofre do biólogo a 02 de Novembro de 2007.
Ao mesmo tempo que a documentação sobre a investigação era tornada pública, o FBI falou com as famílias das vítimas para lhe dar a conhecer pormenores do caso que esteve a ser investigado nos últimos sete anos.
Fontes oficiais adiantaram, entretanto, que o FBI prepara-se para dar a investigação por encerrada.
O principal suspeito do caso, o cientista que trabalhou 18 anos num laboratório militar, foi hospitalizado a 10 de Julho, devido a distúrbios psiquiátricos.
Contudo, os advogados do cientista garantem que foi a "excessiva pressão exercida sobre ele, assim como as acusações e insinuações de que foi alvo" que o levaram ao suicídio.
Bruce Ivin estava a ser investigado há mais de um ano e, de acordo com a agência EFE, tinha já sido notificado pelo Departamento de Justiça norte-americano sobre a possibilidade de vir a ser iniciada de uma investigação contra si por homicídio.