Processo de paz do Paí basco está "morto e encalhado", diz braço político da ETA
O processo de paz no País Basco "está morto e encalhado", segundo uma mensagem transmitida, hoje, pelo porta-voz do ilegaliz ado Batasuna, o braço político da ETA.
Pernando Barrena responsabiliza o Partido Socialista e o Governo lidera do por José Luís Rodriguez Zapatero do "grave bloqueio" em que se encontram as n egociações para alcançar o "almejado processo de paz no País Basco".
Segundo aquele membro do Batasuna, o executivo socialista está a ter o mesmo comportamento do anterior governo de José Maria Aznar, transformando-se, a ssim, num "obstáculo insalvável", o que obsta a que se "estabeleçam as bases" pa ra negociações.
Esta é a segunda vez que, esta semana, um destacado representante da al a política da ETA aparece em público para criticar o comportamento governamental e pedir "prudência", lamentando também que o Governo utilize os direitos dos pr esos "como moeda de troca".
O Governo, assegura Barrena, está mais interessado em promover "um esqu ema político-técnico com a ETA para falar das vítimas, da desmilitarização e dos presos, do que em abordar o esquema político. O Governo está a desviar o conteú do real do processo".
O porta-voz do Batasuna pretende que haja mudanças na atitude do govern o espanhol, já que "estamos todos interessados em que o processo político avance ". Ele não fala em datas, nem em prazos mas acredita que é necessário dar passos em frente antes as próximas eleições municipais, que terão lugar em Maio.
O Governo está a ser extremamente pressionado pelo Partido Popular, o p rincipal partido da oposição, que diz ser inaceitável que o executivo se sente n a mesma mesa que os terroristas e ignore a dor das vítimas.
José Luís Rodriguez Zapatero, consciente de que se a ETA voltar a matar , a sua eleição para um segundo mandato poderá estar comprometida, explicou que o Governo saberá dar, em cada momento, os passos necessários para alcançar o pro cesso de paz.
O chefe do executivo acrescenta que não se pode actuar de acordo com o fenómeno mediático e com as sondagens.
"O Governo dará passos firmes mas não em falso", disse Rodriguez Zapate ro no Parlamento, acrescentando que o seu trabalho, "apesar das extremas dificul dades, vai dar os seus frutos". Para isso, o executivo acredita ser necessário evitar impaciências e im prudências, dado que um processo de paz precisa de tempo, firmeza e tenacidade.
O Governo lembra à ilegalizada Batasuna que só é possível falar de paz a partir do patamar democrático, aconselhando, por isso, a ala política da ETA a evitar todo o tipo de violência.
O presidente da Conferência Episcopal Espanhola, Ricardo Blazquez, gara nte que a "sociedade, e não só as autoridades, será generosa pondo em prática me didas de benevolência, se a ETA depuser definitivamente as armas".