Procuradoria militar acusa ex-ministro da Defesa, Raul Isaías Baduel, de corrupção

Caracas, 04 Out (Lusa) - A Procuradoria Militar acusou na sexta-feira o ex-ministro venezuelano da Defesa, general Raúl Isaías Baduel, de corrupção pelo alegado extravio de recursos pertencentes às Forças Armadas Venezuelanas, revelaram fontes castrenses.

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Raúl Isaías Baduel, um dos responsáveis pelo regresso de Hugo Chávez ao poder, em Abril de 2002, foi detido na sexta-feira, "de maneira violenta", junto a um semáforo da localidade de El Limón, Estado de Arágua, 100 quilómetros a oeste de Caracas, quando acompanhava a esposa ao mercado, gritando que o levavam contra a sua vontade.

A detenção, segundo o procurador militar, general José Cedeño, deveu-se a um "mandado de condução que houve necessidade de aplicar em virtude da atitude contumaz de um cidadão venezuelano que tinha a obrigação de submeter-se a um processo penal venezuelano e mantinha uma atitude de resistência a cumprir as disposições da lei".

Segundo aquele responsável, o ex-ministro da Defesa está proibido de sair da Venezuela e ficará submetido a um regime de apresentação quinzenal em tribunal.

Por outro lado, precisou que pelo mesmo caso está detido um tenente-coronel e outro está submetido a medidas cautelares.

Os defensores do general Raúl Isaías Baduel questionaram as declarações do procurador, argumentando que o ex-ministro da Defesa notificou, por escrito, em diversas oportunidades, o tribunal militar das suas intenções de cumprir com a legislação venezuelana, tendo inclusivamente reclamado contra uma alegada falta de competência legal do procurador para prosseguir com o caso.

General na reforma e tido como homem de confiança do Presidente Hugo Chávez, Raúl Isaías Baduel foi um dos responsáveis pelo regresso de Hugo Chávez ao poder, em Abril de 2002.

Em Julho de 2007, demitiu-se das funções de ministro do Poder Popular para a Defesa, defendendo que o socialismo do século XXI deveria ser democrático e distanciado-se do "capitalismo de Estado" e da ortodoxia marxista.

A 05 de Novembro desse mesmo ano, acusou o Parlamento e o governo de consumarem, "na prática, um golpe de Estado, violando de maneira descarada o texto constitucional e os seus mecanismos" e alertou para as consequências imprevisíveis do processo.

O Presidente da Venezuela, Hugo Chávez, acusou-o de lhe ter dado "uma punhalada" e de servir o imperialismo, ao comparar o projecto de reforma constitucional a um golpe de Estado.

O projecto de reforma constitucional foi reprovado pelos venezuelanos em referendo em Dezembro último.

FPG.


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