Profanadores de cadáveres, violadores e ladrões entram em acção
Falsos socorristas a profanar cadáveres, violadores de mulheres e jovens apanhadas desprevenidas, ladrões que dão alertas falsos de tsunamis para mais facilmente pilharem casas desocupadas e exploradores de gente desesperada entraram em acção nos países asiáticos devastados pelos maremotos.
Esta vaga de crimes ocorre na sequência dos tsunamis de 26 de Dezembro, que levaram a devastação a uma dezena de países do Oceano Índico e que tiveram na sua origem o sismo com uma magnitude de 8,9 na escala de Richter que abalou o noroeste da região autónoma indonésia de Aceh, na ilha de Samatra.
A organização de defesa dos direitos humanos "Women and Media Collective" revelou num comunicado sobre o Sri Lanka - o segundo país com maior número de mortos depois da Indonésia - ter recebido informações acerca de violações de mulheres e jovens praticadas em grupo durante alegadas operações de socorro em curso nos locais remotos sem qualquer supervisão, ou em acampamentos temporários de sinistrados.
Sem meios de vigilância e dissuasão ao seu alcance, esta organização não-governamental (ONG) confrontou as autoridades singalesas com o imperativo de reforçarem a protecção das vítimas.
Uma situação escandalosa denunciada é a de dezenas de órfãos acolhidos por pessoas próximas mais obstinadas em meter ao bolso o dinheiro prometido aos sobreviventes do que com o bem-estar dos menores.
Carol Bellamy, directora-geral da UNICEF, declarou em Colombo que uma das principais preocupações da organização é impedir a exploração das crianças no Sri Lanka.
Na Índia, terceiro país com o maior número de mortos, um responsável do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) contou que um homem, afirmando ser tio de um órfão, era afinal um embusteiro de quem o miúdo fugiu na primeira oportunidade.
"Estes órfãos são um maná para quem lhes é próximo e até para outras pessoas com os olhos postos na ajuda financeira anunciada pelo governo", lamentou S.Vidyaakar, fundador da sociedade benemérita Madras.
Na Tailândia, quarto país da lista em mortos, o jornal Times, de Londres, noticiou que um rapaz sueco de 12 anos, Kristian Walker, ferido ao ser arrastado pelos maremotos, foi sequestrado do hospital onde convalescia.
O sequestro não está oficialmente confirmado, mas o jornal adiantou estar em curso uma operação conjunta das polícias sueca e tailandesa para descobrir o paradeiro do jovem.
Raedda Barnen, dirigente da secção sueca da ONG "Save the Children", avisou que os menores encontrados depois da catástrofe são alvos predilectos para pedófilos.
Na generalidade dos países atingidos, outro crime na ordem do dia é a profanação de cadáveres por gente que cobiça os seus bens pessoais. Exemplos terríveis são os de mulheres com orelhas e dedos mutilados para lhes tirarem os brincos e os anéis.
No Sri Lanka, os "media" fizeram-se eco de corpos roubados nas morgues para serem vendidos aos familiares que, sem saberem dos seus entes queridos desaparecidos, pagam qualquer preço para, ao menos, lhes darem sepultura.
Em Timor-Leste, malfeitores fizeram correr rumores de réplicas do sismo e de novos tsunamis, que levaram aldeões em pânico a abandonar as suas casas, depois completamente pilhadas.
Na região administrativa especial chinesa de Hong Kong, falsos e- mail pedem dinheiro para os sinistrados, que jamais lhes é enviado.