Programa de governo de Lula destaca desenvolvimento económico
O presidente do Brasil, Lula da Silva, vai dar prioridade ao desenvolvimento económico, caso seja reeleito nas presidenciais de Outubro, segundo o programa de governo divulgado terça-feira.
"A marca de um possível segundo mandato será o desenvolvimento económico, com distribuição de investimentos em educação", anunciou o presidente, durante o lançamento de seu programa, em São Paulo.
Lula da Silva salientou, durante a cerimónia, realizada num hotel, na Zona Sul da cidade, que o "Brasil vive um momento bom" e que as perspectivas futuras "são as melhores possíveis".
"Não vejo no horizonte o que pode atrapalhar o Brasil a atingir um grau maior de desenvolvimento", disse, acompanhado por vários ministros, aliados políticos e dezenas de simpatizantes.
O presidente realçou que a economia brasileira está a "colher os frutos plantados" e que o governo não "poderá fazer nenhuma loucura" neste sector no futuro.
"É com esse equilíbrio, com essa visão que estamos a pedir ao povo uma nova oportunidade para fazer infinitamente mais em todas as áreas", disse.
Lula da Silva salientou ainda que no seu segundo mandato haverá maiores investimentos em infra-estruturas, como a construção de auto-estradas e caminhos-de-ferro.
Para fomentar o desenvolvimento, o actual presidente disse que serão oferecidos incentivos para "investimentos privados", com o apoio do Governo brasileiro.
Sem citar metas nem projecções futuras, Lula da Silva brincou diversas vezes com os seus aliados e evitou fazer críticas aos governos de seus antecessores.
"Perguntei certa vez a Fidel Castro como estava a construção do socialismo em Cuba e ele me respondeu: És um processo, camarada Lula", lembrou.
"Essa resposta serve de estímulo para nós que acreditamos que estamos num processo de mudança porque governar um país como o Brasil não é uma tarefa fácil", disse.
Lula da Silva avançou que o seu "novo jeito de fazer política" não é compreendido pelos seus adversários e que só quer ser julgado no "último dia do mandato".
"Governar não é exercitar uma vontade pessoal, mas é um acto de exercitar o mais próximo da vontade colectiva", salientou o presidente.
Em relação à política externa, Lula da Silva disse que o processo de integração entre o Brasil e os países da América do Sul será intensificado, com a criação de um Parlamento do Mercosul.
O presidente avançou igualmente que o Brasil manterá a sua aspiração a um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas.
O programa de governo não apresenta metas, apenas princípios gerais para um segundo mandato, que deverá ser conquistado por Lula da Silva já na primeira volta, segundo as últimas sondagens.
"Depois de quase três décadas perdidas, o Brasil ingressou numa etapa de desenvolvimento. As mudanças são visíveis, como atestam principalmente a expansão do emprego e do rendimento de milhões de brasileiros", salienta um dos trechos do programa de governo.
"Caberá ao segundo mandato avançar mais aceleradamente no rumo desse novo ciclo de desenvolvimento. Um desenvolvimento de longa duração, com redução das desigualdades sociais e regionais", refere o texto.
O programa salienta ainda a necessidade de uma reforma do Estado para assegurar maior transparência na gestão pública e dotar o Executivo de meios mais eficazes para combater a corrupção e a burocracia.
Destaca também a questão da segurança pública, um dos principais temas desta campanha eleitoral, nomeadamente após as ondas de violência promovidas pelo crime organizado no Estado de São Paulo.
A proposta de Lula da Silva promete intensificar a repressão a todas as formas de delinquência, "com especial atenção para as acções de inteligência e de informação em todas as esferas do sistema".