Progressos no Iraque são "insatisfatórios"
Os progressos no Iraque são "insatisfatórios" em quase metade dos objectivos atribuidos a Bagdad pelo Congresso norte-americano, indica um relatório intermédio da Casa Branca sobre a estratégia de reforços do presidente George W. Bush para o país.
Apesar das repetidas declarações dos Estados Unidos sobre a crescente responsabilidade dos iraquianos em matéria de segurança, o governo iraquiano "fez progressos insatisfatórios para aumentar o número de forças de segurança iraquianas que podem operar de modo autónomo", precisa o documento de 25 páginas.
O relatório intermédio indica que num total de 18 objectivos, os progressos são "insatisfatórios" em oito, "satisfatórios" em oito outros e os dois restantes têm resultados aquém das expectativas.
O documento é a primeira avaliação da situação no Iraque desde o anúncio em Janeiro de uma nova estratégia norte-americana para o país.
É também criticada a falta de esforços do "governo iraquiano para desenvolver um programa de desarmamento eficaz das milícias", sendo assinalado ainda que o Parlamento iraquiano falhou a aprovação de uma lei decisiva para a indústria petrolífera, que poderia atenuar as hostilidades entre as comunidades.
O governo do primeiro-ministro Nuri al-Maliki é igualmente criticado por ainda não ter feito uma lei facilitando o acesso à função pública dos antigos membros do partido Baas de Sadam Hussein.
Os responsáveis norte-americanos consideram aquela lei indispensável para fazer baixar a tensão entre a comunidade xiita e a minoria sunita.
Na frente diplomática, o relatório acusa o Irão e a Síria de contribuirem para os ataques contra os iraquianos e as forças norte-americanas no Iraque. "Vemos poucas alterações na política do Iraque visando uma derrota norte-americana, através de um apoio financeiro e material aos ataques contra os civis e os militares norte-americanos no Iraque", precisa o documento.
Um relatório final sobre a estratégia norte-americana é esperado em Setembro, tendo por base a avaliação a fazer pelos comandantes militares norte-americanos colocados no terreno.
O relatório intermédio foi redigido pelo Conselho Nacional de Segurança e inclui contribuições dos Departamentos de Estado e Defesa e do comandante das forças norte-americanas no Iraque, o general David Petraeus.
O presidente George W. Bush anunciou em Janeiro um reforço de 30.000 soldados norte-americanos no Iraque para tentar pacificar o país. Actualmente estão no Iraque cerca de 160.000 militares dos Estados Unidos.
Esta estratégia é muito impopular nos Estados Unidos, onde cada vez mais parlamentares, democratas e republicanos, pedem o estabelecimento de um prazo para o destacamento militar no Iraque.
Segundo uma lei aprovada recentemente pelo Congresso, se George W. Bush não conseguir obter rapidamente progressos a nível de cada um dos 18 objectivos pode ser obrigado a propor uma mudança de estratégia ou enfrentar uma redução no financiamento da guerra.