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Proteção da Amazónia e Povos Indígenas. Alianza Ceibo vence Prémio Gulbenkian para a Humanidade 2026
A Aliança de Povos Indígenas da Amazónia, a Alianza Ceibo, é a vencedora do Prémio Gulbenkian para a Humanidade deste ano. A Fundação Calouste Gulbenkian anunciou a distinção em reconhecimento pelo trabalho de proteção de territórios ancestrais da Amazónia e pela promoção, a nível mundial, dos direitos dos Povos Indígenas e da justiça climática.
O movimento de povos indígenas da Amazónia recebe um milhão de euros pelo trabalho de proteção de mais de dois milhões de hectares de floresta tropical no Equador, Peru e Colômbia.
A Alianza Ceibo é uma organização equatoriana sem fins lucrativos liderada por indígenas, criada com o objetivo de lutar pela defesa "do território indígena, da sobrevivência cultural e da construção de alternativas viáveis e baseadas em soluções para a destruição da floresta tropical".
Composta por membros dos povos Kofan, Siona, Secoya e Waorani, em parceria com a Amazon Frontlines, trabalha no sentido de proteger "terras ancestrais essenciais para o clima na bacia superior do Amazonas".
A Fundação Calouste Gulbenkian decidiu, em reconhecimento desse trabalho, galardoar a Alianza Ceibo.
O Prémio Gulbenkian para a Humanidade, no valor de um milhão de euros, pode ajudar a Alianza Ceibo a "manter e ampliar o seu modelo liderado por Povos Indígenas, reforçando a proteção da floresta tropical e investindo simultaneamente na educação promovida pelas comunidades, na formação de lideranças e em oportunidades para a próxima geração de jovens indígenas".
O Prémio Gulbenkian para a Humanidade, no valor de um milhão de euros, pode ajudar a Alianza Ceibo a "manter e ampliar o seu modelo liderado por Povos Indígenas, reforçando a proteção da floresta tropical e investindo simultaneamente na educação promovida pelas comunidades, na formação de lideranças e em oportunidades para a próxima geração de jovens indígenas".
A Alianza Ceibo é a primeira organização género na região e é formada por membros das próprias comunidades a que responde, através de projetos concebidos, desenvolvidos e geridos pelas próprias comunidades indígenas. Entre os objetivos deste trabalho, destaca-se combate à contaminação da indústria petrolífera e mineira, e a preservação da memória, dos saberes ancestrais e o idioma dos povos originários.
Propósito une povos indígenas
Como sublinha a Fundação Calouste Gulbenkian em comunicado, o trabalho conjunto destes quatro povos indígenas estende-se pelo Equador, Peru e Colômbia, através da proteção de mais de dois milhões de hectares de floresta tropical rica em biodiversidade.
A Alianza Ceibo tem alcançado vitórias jurídicas relativamente ao combate à exploração de recursos e à desflorestação, enquanto garante o fornecimento de água potável - protegendo as populações dos rios contaminados pelo petróleo - e de energia renovável às comunidades indígenas.
Algumas das principais conquistas desta organização são a uma decisão judicial "que atribuiu ao povo Siekopai o título de propriedade do seu território ancestral"; uma outra decisão judicial anulou 52 concessões mineiras ilegais no território A’i Kofan.
A Alianza Ceibo conseguiu ainda a instalação de 1.164 sistemas de filtragem de águas pluviais, "que dão acesso a água potável a mais de 6.500 pessoas afetadas pela contaminação por petróleo na Amazónia equatoriana e também na Colômbia", além da construção de 200 sistemas de energia solar, garantindo eletricidade a mais de 200 famílias, três associações de mulheres, sete escolas e 14 postos de patrulhamento territorial.
A Alianza Ceibo conseguiu ainda a instalação de 1.164 sistemas de filtragem de águas pluviais, "que dão acesso a água potável a mais de 6.500 pessoas afetadas pela contaminação por petróleo na Amazónia equatoriana e também na Colômbia", além da construção de 200 sistemas de energia solar, garantindo eletricidade a mais de 200 famílias, três associações de mulheres, sete escolas e 14 postos de patrulhamento territorial.
Para o Presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, esta organização é um "exemplo poderoso da liderança indígena na luta pela justiça climática num dos ecossistemas mais preciosos da Terra — a floresta amazónica".
"Perante a adversidade, a Alianza Ceibo uniu esforços além-fronteiras para tomar nas suas mãos o futuro dos seus territórios ancestrais. Mostra-nos o que pode ser alcançado quando nos unimos em torno de um propósito comum”, afirmou António Feijó, no comunicado enviado à imprensa.
O júri deste prémio, presidido pela antiga Chanceler alemã Angela Merkel, selecionou a entidade vencedora de entre 304 nomeações de 73 países.
O Prémio Gulbenkian para a Humanidade distingue, segundo Merkel, quem demonstra ter um "compromisso excecional com a Terra e com a coexistência global entre as pessoas e o planeta". Esta distinção prova "que cada pessoa, onde quer que esteja no mundo, tem o poder de fazer a diferença — e que uma única ação, quando inspira outras pessoas, pode tornar-se uma poderosa força de mudança em todo o mundo".
A Alianza Ceibo representa mais de 6.500 pessoas de 85 comunidades ancestrais, que trabalha em parceria com a organização irmã, a Amazon Frontlines, e com uma coligação multicultural mais ampla de líderes e anciãos indígenas. Os trabalhos desenvolvidos têm em vista impulsionar um movimento mais abrangente pelos direitos dos Povos Indígenas.
Além disso, a liderança das mulheres é central no modelo da aliança: cada povo está representado no órgão de governação, com representação paritária de mulheres e homens.
A Alianza Ceibo representa mais de 6.500 pessoas de 85 comunidades ancestrais, que trabalha em parceria com a organização irmã, a Amazon Frontlines, e com uma coligação multicultural mais ampla de líderes e anciãos indígenas. Os trabalhos desenvolvidos têm em vista impulsionar um movimento mais abrangente pelos direitos dos Povos Indígenas.
Além disso, a liderança das mulheres é central no modelo da aliança: cada povo está representado no órgão de governação, com representação paritária de mulheres e homens.
A Fundação Calouste Gulbenkian destaca, nesse sentido, que esta abordagem equitativa à governação, liderada pelas comunidades, permitiu que os diferentes povos trabalhassem com objetivos comuns. A Alianza Ceibo constitui, ainda para mais, um modelo pioneiro de ação climática liderada por Povos Indígenas, demonstrando como a governação territorial, a liderança comunitária e a intervenção internacional podem proteger simultaneamente as pessoas e a natureza.
Proteger povos e culturas indígenas
Num contexto em que os Povos Indígenas enfrentam, a nível mundial, uma falta de financiamento grave e persistente, a Fundação Calouste Gulbenkian considera que este prémio "ajudará a Alianza Ceibo a salvaguardar a liderança indígena num dos ecossistemas mais importantes do mundo".
“Aceitamos humildemente este reconhecimento em nosso nome e em nome das nossas comunidades, dos nossos anciãos e dos territórios", disse a cofundadora da Alianza Ceibo, Nemonte Nenquimo, do povo Waorani, no comunicado.
Para Nenquimo este prémio reconhece a luta que estes povos travam desde os antepassados e "demonstra o seu verdadeiro impacto no mundo: os Povos Indígenas, que sempre viveram aqui, são fundamentais para proteger a floresta tropical e encontrar soluções para as alterações climáticas".
"A Amazónia é vital para o equilíbrio do planeta e, ainda assim, continua a ser destruída. Temos de permanecer firmes na sua defesa porque as nossas vidas dependem dela".
Para Nenquimo este prémio reconhece a luta que estes povos travam desde os antepassados e "demonstra o seu verdadeiro impacto no mundo: os Povos Indígenas, que sempre viveram aqui, são fundamentais para proteger a floresta tropical e encontrar soluções para as alterações climáticas".
"A Amazónia é vital para o equilíbrio do planeta e, ainda assim, continua a ser destruída. Temos de permanecer firmes na sua defesa porque as nossas vidas dependem dela".
Em entrevista à RTP Antena 1, Nenquimo reforçou o mérito deste prémio.
"Merecemos muito este reconhecimento", afirmou, acrescentando que este dinheiro será mais uma ferramente para continuar o trabalho e a garantir a própria autonomia.
Nos últimos anos, a aliança conseguiu várias vitórias nos tribunais: travou uma concessão mineira prevista para uma zona de nascente de um curso de água que chega ao rio Amazonas.
Um dos focos da Alianza Ceibo é o apoio aos povos indígenas na resposta às ameaças à cultura e à autonomia, através de estratégias enraizadas nas comunidades e centradas no reforço da liderança das mulheres e dos jovens.
Destacam-se exemplos como uma Escola de Empreendedorismo e Liderança para Mulheres, que ao longo dos últimos dez anos formou 260 mulheres indígenas em alternativas de economia sustentável, e uma Escola de Comunicação Indígena, que forma os jovens em narrativa, fotografia, cinema e jornalismo, contribuindo para preservar a memória e a cultura.
Destacam-se exemplos como uma Escola de Empreendedorismo e Liderança para Mulheres, que ao longo dos últimos dez anos formou 260 mulheres indígenas em alternativas de economia sustentável, e uma Escola de Comunicação Indígena, que forma os jovens em narrativa, fotografia, cinema e jornalismo, contribuindo para preservar a memória e a cultura.
Também para o cofundador Hernán Payaguaje, do povo Siekopai, este prémio foi recebido com uma "enorme gratidão"."É um reconhecimento do trabalho que desenvolvemos a partir dos nossos territórios, apoiando processos comunitários, reforçando lideranças, desenvolvendo capacidades e promovendo a autonomia dos povos".
Esta ONG eeconhece "o impacto positivo nas comunidades e a confiança construída com organizações, aliados e parceiros" - alianças que têm permitido que a Alianza Ceibo chegue a mais territórios, a mais pessoas e que possa crescer um movimento regional.
"Acreditamos que mais investimento na autonomia dos nossos povos, das suas organizações e dos seus territórios é uma verdadeira alternativa e uma garantia para sustentar a defesa dos nossos territórios e das nossas vidas".
Esta ONG eeconhece "o impacto positivo nas comunidades e a confiança construída com organizações, aliados e parceiros" - alianças que têm permitido que a Alianza Ceibo chegue a mais territórios, a mais pessoas e que possa crescer um movimento regional.
"Acreditamos que mais investimento na autonomia dos nossos povos, das suas organizações e dos seus territórios é uma verdadeira alternativa e uma garantia para sustentar a defesa dos nossos territórios e das nossas vidas".
O Prémio Gulbenkian para a Humanidade é uma iniciativa da Fundação Calouste Gulbenkian, que pretende acelerar abordagens transformadoras para a ação climática em benefício das pessoas e do planeta. Dessa forma, reconhece lideranças e conquistas extraordinárias através da atribuição anual de um milhão de euros, ajudando os vencedores a manter e ampliar o trabalho essencial.
Esta é a sétima edição do Prémio, que já distinguiu personalidades, organizações e iniciativas de referência no combate às crises do clima e da natureza, como a ativista Greta Thunberg ou organização Antarctic and Southern Ocean Coalition.
Esta é a sétima edição do Prémio, que já distinguiu personalidades, organizações e iniciativas de referência no combate às crises do clima e da natureza, como a ativista Greta Thunberg ou organização Antarctic and Southern Ocean Coalition.
As nomeações são avaliadas por um Conselho Científico independente, garantindo que cumprem os critérios de seleção. As nomeações são selecionadas e analisadas por um Júri de especialistas internacionalmente reconhecidos nas áreas da ciência, tecnologia e política.