Proteína com 450 milhões de anos revela as etapas da evolução

Cientistas conseguiram recriar pela primeira vez uma proteína com 450 milhões de anos, com os seus dois mil átomos que permitiram revelar cada etapa da sua evolução até à sua versão moderna no organismo humano, segundo um estudo hoje publicado.

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"Nunca antes tínhamos conseguido recuar tanto no tempo e ver tão claramente o desenrolar dos mecanismos pelos quais a evolução molda uma máquina molecular à escala atómica", explicou Joe Thornton, biologista da Universidade de Oregon, e principal autor do estudo.

"Isto representa o nível de detalhe derradeiro, uma vez que conseguimos ver precisamente como é que a evolução agiu na estrutura antiga da proteína para produzir uma nova função crucial para o organismo humano actualmente", acrescentou.

Os investigadores concentraram os seus esforços numa proteína chamada "receptor glucocorticoide" que tem um papel fundamental na resposta do organismo ao stress nos humanos, utilizando o cortisol, uma hormona.

Apenas sete mutações foram necessárias ao longo de 450 milhões de anos para desenvolver esta função biológica essencial actualmente, determinaram os investigadores, cujos trabalhos surgem na revista americana Science, de 17 de Agosto.

Os investigadores chegaram mesmo a conseguir deduzir qual a ordem em que as mutações se deram, uma vez que certas mutações teriam conduzido a uma perda total das funções da proteína, caso outras modificações não se tivessem já dado.

Para reconstituir a longa história desta proteína, os investigadores utilizaram um banco de dados que contem um grande número de sequências dos receptores modernos.

De seguida criaram uma imagem a três dimensões da proteína tal como esta era há 450 milhões de anos, recorrendo a uma técnica de cristalografia através de raios-X que permitiu localizar o local exacto de cada um dos dois mil átomos.

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