Protestos antigovernamentais. Executados por enforcamento mais dois homens condenados no Irão
O Irão executou por enforcamento mais dois homens condenados por terem participado nos protestos antigovernamentais de janeiro, durante os quais supostamente atacaram uma instalação militar para obter armas de fogo, noticiou uma agência iraniana.
"Foram enforcados após a revisão do caso e a confirmação da sentença definitiva no Tribunal Supremo", noticiou a agência Mizan, órgão do poder judicial.
Os executados, identificados como Mohammadamin Biglari e Shahin Vahedparast, foram acusados de atacar na noite de 8 de janeiro uma instalação militar, incendiá-la e tentar aceder a um arsenal com o objetivo de roubar armas.
Segundo o processo judicial, ambos faziam parte de um grupo que, durante os "distúrbios", tentou infiltrar-se em instalações sensíveis como delegações e bases da milícia ideológica Basij.
No momento do ataque, o centro militar continha 20 armas Kalashnikov e 1.800 cartuchos de munição, entre outros materiais, que os supostos atacantes não conseguiram retirar do arsenal.
O tribunal considerou provadas as acusações com base em relatórios dos serviços secretos, confissões dos acusados, gravações do ataque e na detenção no local dos factos.
O Irão afirma que os acusados atuaram em coordenação com "inimigos" do país, incluindo os Estados Unidos e Israel, uma acusação que costuma usar em casos relacionados com a segurança nacional.
A execução ocorre num contexto de tensão interna e regional, no qual as autoridades iranianas endureceram a sua resposta face aos protestos e ações consideradas como ameaças à segurança do Estado.
Com estas execuções, o Irão já enforcou seis pessoas condenadas por participação nos protestos de janeiro. A contestação eclodiu no final de dezembro devido ao aumento do custo de vida, antes de se espalhar e evoluir para manifestações antigovernamentais.
As autoridades declararam que os protestos começaram pacificamente antes de se transformarem em "motins fomentados por estrangeiros", envolvendo homicídios e atos de vandalismo.
Os protestos antigovernamentais de janeiro, que pediam o fim da República Islâmica, foram sufocados depois de uma dura repressão que causou a morte de 3.117 pessoas, segundo o balanço oficial.
No entanto, organizações de direitos humanos como a opositora HRANA, com sede nos EUA, elevam esse número para mais de 7.000 e continuam a verificar outros 11.000 casos, enquanto estimam em 53.000 os detidos.
O Irão é um dos países com o maior número de execuções no mundo e, em 2025, enforcou 1.500 pessoas, um aumento de 50% em relação ao ano anterior, segundo dados da ONU.