Mundo
Protestos na Ucrânia degeneram em violência
Na capital da Ucrânia continuavam, esta manhã, a ocorrer confrontos esporádicos após uma noite de violência que resultou numa centena de feridos. O gigantesco protesto de domingo contra as novas leis contra manifestações, promulgadas pelo Presidente Viktor Ianukovich, terminou em confrontos entre as forças de segurança e opositores do Governo, que incendiaram diversos autocarros e furgões da polícia antimotim. Num esforço para acalmar a situação, Ianukovich propôs a criação de um comité para tentar resolver a crise política.
Os manifestantes antigovernamentais ergueram barricadas com os destroços dos veículos incendiados. Apesar das temperaturas, que rondaram os dez graus negativos durante a noite, dezenas de pessoas continuam acampadas no centro da capital e prometem não arredar pé enquanto não virem satisfeitas as suas reivindicações, que incluem a demissão do Governo e do Chefe de Estado.
Protesto pacífico degenerou em violência
No domingo mais de 100 mil ucranianos manifestaram-se na praça Maidan, em Kiev, contra a nova legislação, mas o tom pacífico do protesto mudou quando algumas centenas de jovens mais radicais se separaram da manifestação principal e marcharam na direção do Parlamento.
Num acesso de violência raramente visto em manifestações na Ucrânia, os jovens atacaram os cordões das forças antimotim, fazendo uso de paus, pedras e cocktails molotov. Três furgões da polícia foram capturados pelos manifestantes e posteriormente incendiados, bem como cinco autocarros.
Segundo o testemunho de jornalistas presentes, a polícia respondeu de forma relativamente comedida, com bastões, gás lacrimogéneo e granadas de atordoar, acabando por recorrer também a canhões de água quando os confrontos já duravam há três horas.
Vinte participantes na manifestação foram detidos. Fontes hospitalares dão conta de 103 pessoas feridas e 61 hospitalizadas. A polícia reclama, por seu lado, ter 70 feridos entre as suas fileiras, muitos com traumatismos cranianos. Um dos agentes terá sido encurralado e espancado pelos manifestantes.
Ianukovitch propõe conversações
Esta manhã o Presidente Viktor Ianukovitch convocou ao palácio presidencial um dos líderes mais destacados da oposição, Vitali Klitschko, ao qual propôs a criação de um comité, cuja missão será tentar solucionar a crise política.
De acordo com a Presidência, a comissão será criada pelo secretário do Conselho Nacional de Segurança Andry Kliuiev e deverá reunir-se pela primeira vez já esta segunda-feira.
Vitali Klitchko precisou aos jornalistas que o comité em questão deverá incluir membros da administração presidencial do governo e da oposição.
Antes de se reunir com o presidente, o antigo boxeur e agora político tinha apelado à calma. Klitchko advertiu para o perigo de uma guerra civil no país e pediu a Ianukovich que mandasse retirar as forças policiais .
Outro apelo à contenção veio de Arseny Iatseniuk, que representa a líder da oposição aprisionada Iulia Timoshenko. “A violência não conduza a nada senão a uma banho de sangue”, disse Iatseniuk aos manifestantes reunidos na praça Maidan, a quem pediu para “não cederem a provocações”.
EUA brandem a ameaça de sanções
Os Estados Unidos apelaram entretanto ao fim imediato dos confrontos e ameaçaram a Ucrânia com eventuais sanções.
“Estamos muito inquietos com a violência de hoje na ruas de Kiev e apelamos a todas as partes para que reduzam de imediato a escalada da situação”, declarou em Washington a porta-voz do Conselho Nacional de Segurança, Caitlin Hayden.
Anteriormente, a embaixada dos EUA em Kiev já tinha apelado ao Governo ucraniano para que realizasse de imediato negociações “com todas as partes”.
A vaga de protestos que começou em novembro do ano passado - depois de Ianukovich ter decidido suspender a assinatura de um acordo com a União Europeia e favorecer em vez disso uma aproximação à Rússia - depressa deixou de ser uma simples manifestação pró-europeia para se tornar numa contestação generalizada do Governo.
Autoridades deitam mais achas na fogueira
Algumas das ações do poder ucraniano têm contribuído para exacerbar a tensão.
Os protestos iniciais por causa do tratado europeu ganharam uma dimensão muito maior depois de a polícia de choque ter sido enviada contra os manifestantes, levando a que, logo depois, tivesse lugar uma das maiores manifestações de sempre na praça Maidan.
Por alturas do Natal, o frio parecia estar a desmobilizar os manifestantes, reduzidos então a alguns resistentes acampados no centro da capital.
Foi então que a bárbara agressão por desconhecidos a uma jornalista crítica do Presidente, que muitos suspeitam ter sido obra da polícia secreta, voltou a trazer à rua mais de 100 mil pessoas para exigirem a demissão de Ianukovich.
As manifestações voltaram a perder algum gás depois da ida de Ianukovich à Rússia, que prometeu ajudar economicamente a Ucrânia para compensar a não aproximação ao ocidente.
Esta “paz podre” voltou a desfazer-se quando os partidos que apoiam o Presidente fizeram aprovar no Parlamento uma nova lei que reforça a repressão e as sanções às manifestações montadas pela oposição.
Legislação repressiva
Apesar dos avisos de várias capitais ocidentais que manifestavam preocupação com a legislação antidemocrática, Ianukovich assinou na semana passada o diploma, levando a que mais de 100 mil pessoas se mobilizassem no domingo para novos protestos em Kiev.
A lei aprovada pelas autoridades é altamente repressiva de todas as formas de protesto.
Fica proibida a instalação de tendas, palcos ou o uso de altifalantes em público. São impostas pesadas penas de prisão para ações vagamente definidas como “desordens em massa" e para o uso de máscaras faciais ou capacetes de proteção.
É também proibida a disseminação de informação que as autoridades considerem “extremista” ou caluniosa acerca dos líderes do país.
Aos artigos de legislação que proíbem as pessoas de se manifestem com máscaras ou capacetes, alguns decidiram responder com humor. Dezenas de manifestantes apareceram na praça Maidan envergando na cabeça panelas, passadores ou caixas de cartão e ainda máscaras de Carnaval.
Protesto pacífico degenerou em violência
No domingo mais de 100 mil ucranianos manifestaram-se na praça Maidan, em Kiev, contra a nova legislação, mas o tom pacífico do protesto mudou quando algumas centenas de jovens mais radicais se separaram da manifestação principal e marcharam na direção do Parlamento.
Num acesso de violência raramente visto em manifestações na Ucrânia, os jovens atacaram os cordões das forças antimotim, fazendo uso de paus, pedras e cocktails molotov. Três furgões da polícia foram capturados pelos manifestantes e posteriormente incendiados, bem como cinco autocarros.
Segundo o testemunho de jornalistas presentes, a polícia respondeu de forma relativamente comedida, com bastões, gás lacrimogéneo e granadas de atordoar, acabando por recorrer também a canhões de água quando os confrontos já duravam há três horas.
Vinte participantes na manifestação foram detidos. Fontes hospitalares dão conta de 103 pessoas feridas e 61 hospitalizadas. A polícia reclama, por seu lado, ter 70 feridos entre as suas fileiras, muitos com traumatismos cranianos. Um dos agentes terá sido encurralado e espancado pelos manifestantes.
Ianukovitch propõe conversações
Esta manhã o Presidente Viktor Ianukovitch convocou ao palácio presidencial um dos líderes mais destacados da oposição, Vitali Klitschko, ao qual propôs a criação de um comité, cuja missão será tentar solucionar a crise política.
De acordo com a Presidência, a comissão será criada pelo secretário do Conselho Nacional de Segurança Andry Kliuiev e deverá reunir-se pela primeira vez já esta segunda-feira.
Vitali Klitchko precisou aos jornalistas que o comité em questão deverá incluir membros da administração presidencial do governo e da oposição.
Antes de se reunir com o presidente, o antigo boxeur e agora político tinha apelado à calma. Klitchko advertiu para o perigo de uma guerra civil no país e pediu a Ianukovich que mandasse retirar as forças policiais .
Outro apelo à contenção veio de Arseny Iatseniuk, que representa a líder da oposição aprisionada Iulia Timoshenko. “A violência não conduza a nada senão a uma banho de sangue”, disse Iatseniuk aos manifestantes reunidos na praça Maidan, a quem pediu para “não cederem a provocações”.
EUA brandem a ameaça de sanções
Os Estados Unidos apelaram entretanto ao fim imediato dos confrontos e ameaçaram a Ucrânia com eventuais sanções.
“Estamos muito inquietos com a violência de hoje na ruas de Kiev e apelamos a todas as partes para que reduzam de imediato a escalada da situação”, declarou em Washington a porta-voz do Conselho Nacional de Segurança, Caitlin Hayden.
Anteriormente, a embaixada dos EUA em Kiev já tinha apelado ao Governo ucraniano para que realizasse de imediato negociações “com todas as partes”.
A vaga de protestos que começou em novembro do ano passado - depois de Ianukovich ter decidido suspender a assinatura de um acordo com a União Europeia e favorecer em vez disso uma aproximação à Rússia - depressa deixou de ser uma simples manifestação pró-europeia para se tornar numa contestação generalizada do Governo.
Autoridades deitam mais achas na fogueira
Algumas das ações do poder ucraniano têm contribuído para exacerbar a tensão.
Os protestos iniciais por causa do tratado europeu ganharam uma dimensão muito maior depois de a polícia de choque ter sido enviada contra os manifestantes, levando a que, logo depois, tivesse lugar uma das maiores manifestações de sempre na praça Maidan.
Por alturas do Natal, o frio parecia estar a desmobilizar os manifestantes, reduzidos então a alguns resistentes acampados no centro da capital.
Foi então que a bárbara agressão por desconhecidos a uma jornalista crítica do Presidente, que muitos suspeitam ter sido obra da polícia secreta, voltou a trazer à rua mais de 100 mil pessoas para exigirem a demissão de Ianukovich.
As manifestações voltaram a perder algum gás depois da ida de Ianukovich à Rússia, que prometeu ajudar economicamente a Ucrânia para compensar a não aproximação ao ocidente.
Esta “paz podre” voltou a desfazer-se quando os partidos que apoiam o Presidente fizeram aprovar no Parlamento uma nova lei que reforça a repressão e as sanções às manifestações montadas pela oposição.
Legislação repressiva
Apesar dos avisos de várias capitais ocidentais que manifestavam preocupação com a legislação antidemocrática, Ianukovich assinou na semana passada o diploma, levando a que mais de 100 mil pessoas se mobilizassem no domingo para novos protestos em Kiev.
A lei aprovada pelas autoridades é altamente repressiva de todas as formas de protesto.
Fica proibida a instalação de tendas, palcos ou o uso de altifalantes em público. São impostas pesadas penas de prisão para ações vagamente definidas como “desordens em massa" e para o uso de máscaras faciais ou capacetes de proteção.
É também proibida a disseminação de informação que as autoridades considerem “extremista” ou caluniosa acerca dos líderes do país.
Aos artigos de legislação que proíbem as pessoas de se manifestem com máscaras ou capacetes, alguns decidiram responder com humor. Dezenas de manifestantes apareceram na praça Maidan envergando na cabeça panelas, passadores ou caixas de cartão e ainda máscaras de Carnaval.