Protestos persistem no Irão apesar da repressão

Os protestos pela morte de Mahsa Amini prosseguem em várias regiões do Irão, apesar da repressão por parte das autoridades. Nas últimas três semanas foram detidas centenas de pessoas.

Cristina Sambado - RTP /
Wana (West Asia News Agency) via Reuters

Segundo imagens partilhadas pela ONG Iran Human Rights (IHR), com sede em Oslo, foram organizados, no norte do país vários protestos por estudantes da Universidade de Gilan, e numa escola feminina em Mahabad, onde as jovens tiraram os hijab.


Em Teerão, a capital do país, uma grande multidão reuniu-se à porta de uma universidade para denunciar a “pobreza e a corrupção” no país, gritando “morte à ditadura”.


Após a morte de Mahsa Amini, a 16 de setembro, que morreu depois de ser presa pela polícia da moralidade em Teerão por alegadamente violar o rigoroso código de vestuário da República Islâmica, incluindo o uso do véu, o país tem sido abalado por protestos.

O RSI afirma que pelo menos 95 pessoas morreram nos protestos. A “Geração Z” – definida como os nascidos entre 1997 e 2012 está na linha da frente dos protestos desencadeados após a morte de Mahsa Amini.

Segundo as ONG, jornalistas, ativistas e artistas foram sido detidos pelas autoridades iranianas desde o início do movimento.

Outras figuras proeminentes tiveram os seus passaportes brevemente confiscados, tais como a lenda do futebol iraniano Ali Daei, o segundo maior marcador da história da seleção nacional.

A 27 de Setembro, Ali Daei apelou às autoridades para "resolverem os problemas do povo iraniano em vez de recorrerem à repressão, violência e detenções".

Os passaportes do cantor Homayoun Shajarian e da mulher, a atriz Sahar Dolatshahi e o cineasta Mehran Modiri foram também apreendidos, segundo a agência noticiosa iraniana Ilna.

O Centro de Direitos Humanos do Irão (CHRI), sediada em Nova Iorque, revela que pelo menos 1200 pessoas foram detidas. Protestos atingem indústria petrolífera
O movimento de protesto mobilizou também trabalhadores industriais na segunda-feira. Os vídeos partilhados pelos meios de comunicação social em língua persa sediados fora do Irão mostram trabalhadores a queimar pneus fora da fábrica petroquímica de Asalouyeh, no sudeste do país.


As manifestações em Asaluyeh, no sul do Irão e junto ao Golfo Pérsico, são as primeiras na região desde que começou a agitação civil em torno da morte de Mahsa Amini e estão a ameaçar os já debilitados cofres do Governo teocrático iraniano, ou seja, a indústria de petróleo e gás.


Segundo o RSI, foram observadas greves em fábricas em Abadan (oeste) e Kengan (sul).

As autoridades iranianas denunciaram as manifestações como "tumultos" e acusaram países estrangeiros de as provocarem, nomeadamente os Estados Unidos, o inimigo declarado do regime iraniano.As manifestações representam um dos maiores desafios para a teocracia do Irão desde os protestos do Movimento Verde em 2009.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Nasser Kanani, afirmou segunda-feira que o Governo "tem o dever de proteger a segurança da Nação e dos seus cidadãos, e não pode ficar de braços cruzados perante o caos e a desordem.

Em Sanandaj, a capital provincial do Curdistão (noroeste), a região onde nasceu Mahsa Amini, as forças de segurança utilizaram "armas pesadas" no domingo à noite, segundo a ONG de direitos humanos Hengaw.

Em áreas residenciais, as autoridades policiais utilizaram "metralhadoras" na cidade, cenário de algumas das maiores manifestações, acrescentou a ONG, citando relatórios que não foram verificados de forma independente.
Tópicos
PUB