Protestos reúnem milhares de apoiantes do líder da Oposição no Irão
Milhares de apoiantes de Mousavi manifestaram-se junto à Universidade de Teerão, gritando palavras de apoio ao ex-candidato. A polícia dispersou a multidão com gás lacrimogéneo e efectuou algumas detenções. O protesto contra a reeleição do conservador Ahmadinejad, seguiu-se à oração conduzida pelo antigo presidente Rafsandjani, a primeira desde as eleições presidenciais.
Houssein Mousavi, que estava na primeira fila da assistência no recinto universitário, alegou fraude eleitoral e pediu a anulação do escrutínio, dizendo que foram contados mais votos do que os eleitores que constavam nos cadernos. O Conselho dos Guardiões confirmou a vitória de Ahmadinejad.
Desde as eleições, passaram a ser frequentes os protestos nas ruas da capital iraniana. Duas dezenas de pessoas morreram, foram detidos dezenas de militantes políticos - entre os quais a filha de Rafsandjani - e impostas restrições à circulação dos meios de comunicação social estrangeiros.
Hoje, quando chegava ao local da oração, foi detida a fundadora da Rede de advogados voluntários, denunciou o marido à France Press. Shadi Sadr, de 34 anos, é conhecida pela defesa dos direitos das mulheres acusadas de adultério e desde há um ano lidera uma campanha contra a pena de lapidação. "Ela telefonou-me de um lugar desconhecido e disse-me que foi levada por homens não fardados e que a obrigaram a entrar num carro", contou o marido, citado pela agência noticiosa internacional.
Durante o protesto, que decorreu em simultâneo com a oração, os manifestantes entoaram "Liberdade, Liberdade", "Rafsandjani, apoiamos-te" e "morte ao ditador", apelando à demissão do presidente. "Morte à Rússia" e "morte à China", foram também palavras de ordem entoadas pela multidão, em alusão à proximidade de Ahmadinejad com os dois países e contra o facto de o presidente não ter criticado a mortes de muçulmanos na província de Xinjiang.
Uma hora após o fim da oração, a polícia patrulhava em força a área junto à universidade, não se avistando apoiantes das forças da Oposição ao regime.
Sermão crítico da violência pós-eleitoralAli Akbar Rafsandjani, que ocupou a presidência do Irão entre 1989 e 1997, é apoiante declarado de Mousavi às eleições de Junho e um dos inimigos do reeleito Ahmadinejad. Esta foi a primeira vez, desde há dois meses, que o clérigo presidiu à oração semanal na Universidade de Teerão.
Com Mousavi na assistência, e transmissão em directo pela rádio estatal, Rafsandjani apelou à libertação dos manifestantes ainda detidos, como forma de restabelecer a confiança no regime. "A dúvida foi criada (...) Existe uma grande parte dos sábios que diz ter dúvidas. Temos de agir para remover esta dúvida", disse.
Líder de dois importantes conselhos clericais, o Conselho dos Sábios e o Conselho do Discernimento, Rafsandjani defendeu a existência de um debate aberto nos meios de comunicação nacional, assim como o fim do apertado controlo sobre estes meios. "Não é necessário pressionar os media. Devemos permitir que trabalhem com liberdade dentro da lei", afirmou.
O sermão de Rafsandjani apelou à unidade nacional. Sem nunca referir o nome do líder supremo, o Ayatollah Khamenei, Rafsandjani afirmou que os conflitos dividem os clérigos e apontou para os perigos que esta crise apresenta. "Somos todos membros de uma família. Espero, com este sermão, que possamos superar este período de dificuldades que pode ser chamado de crise".