Protestos violentos deixaram Hong Kong irreconhecível

O líder interino de Hong Kong afirmou hoje, durante as comemorações dos 70 anos da China, que o território está irreconhecível devido aos violentos protestos de que é palco há cerca de quatro meses.

Lusa /
Protestos nas ruas de Hong Kong Reuters

O secretário para a Administração de Hong Kong, Matthew Cheung, falava em representação da chefe do Executivo da região administrativa especial chinesa, Carrie Lam, que se deslocou a Pequim para participar nas comemorações do 70.º aniversário da fundação da República Popular da China.

Altos funcionários do Governo de Hong Kong e cerca de 12 mil convidados assistiram, a partir do Centro de Convenções e Exposições, à cerimónia do hastear da bandeira do país, que decorreu na praça da Bauhinia Dourada, junto ao Centro.

Ao mesmo tempo, nas proximidades, a polícia usava gás pimenta para separar um grupo pró-democrata e outro pró-Pequim.

O "número dois" do Governo destacou o compromisso do Executivo em apaziguar a crise, dias depois da estreia de uma série de debates com a sociedade civil, e prometeu uma nova abordagem para resolver as questões sociais, que estão na base da contestação social.

Hong Kong enfrenta, há cerca de quatro meses, a mais grave crise política desde a transferência da soberania da antiga colónia britânica para a China, em 1997, com ações e manifestações quase diárias contra o Governo.

Na segunda-feira, a polícia de Hong Kong alertou que a cidade poderá atravessar hoje uma situação de perigo, já que novos protestos pró-democracia estão a ser planeados, apesar das autoridades terem proibido a marcha convocada pela Frente Cívica de Direitos Humanos (FCDH), que representa pelo menos 15 partidos e organizações não-governamentais.

De acordo com uma estimativa da própria associação, a FCDH foi responsável pelas manifestações que levaram à rua um milhão de pessoas a 09 de junho, dois milhões a 16 de junho e 1,7 milhões a 18 de agosto, sendo que esta última havia também sido proibida pela polícia.

"Estimamos que a situação amanhã [hoje] será muito, muito perigosa", disse o principal responsável da polícia, John Tse.

Em antecipação, o Governo já reforçou a segurança em toda a cidade, onde cartazes de protestos pedem que o dia 01 de outubro seja marcado como "Um dia de luto".

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