PRS denuncia "falta de seriedade" das autoridades guineenses sobre a marcação de legislativas antecipadas

O presidente em exercício do Partido da Renovação Social (PRS), terceira força mais votada no parlamento dissolvido da Guiné-Bissau, Fernando Dias, defendeu que existe falta de seriedade das autoridades na marcação da data de eleições legislativas antecipadas.

Lusa /

"Nós achamos que não há seriedade entre dois atores responsáveis do processo", disse Fernando Dias, em entrevista à Lusa, referindo-se ao Governo e à Presidência da República.

Fernando Dias, 44 anos, não compreende como é que o Governo marca a data do início do recenseamento eleitoral para o dia 10 de dezembro, oito dias antes do dia decretado pelo chefe de Estado para a realização de eleições.

"O Presidente da República é o titular do direito para marcar a data das eleições, razão pela qual num decreto presidencial marcou as eleições para o dia 18 de dezembro. Ao Governo foi dada uma meta para organizar eleições num período de sete meses, surgiu agora para nos dizer que o recenseamento eleitoral vai ter lugar no dia 10 de dezembro", sublinhou o líder em exercício do PRS.

Fernando Dias aguarda por um pronunciamento do Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, mas para já diz que há falta de seriedade no processo eleitoral.

"Se o Presidente marca (as eleições) para 18 de dezembro e o Governo marca o (início) do recenseamento para 10 de dezembro, quem é que está com seriedade", questionou Fernando Dias, jurista formado pela Faculdade de Direito de Bissau.

O dirigente entende que o Governo "devia ficar em silêncio" por ter falhado na sua missão de organizar eleições, aguardar pela posição do Presidente do país a quem, adiantou, o PRS vai informar, nas próximas audiências, que a Guiné-Bissau "não pode ficar nessa situação".

"Nós, enquanto partido político, vamos junto do Presidente da República informá-lo que o país não pode ficar nessa situação sem um Governo legítimo, sem um Governo constitucional, portanto, por isso é que estamos a exigir a realização de eleições", defendeu.

Fernando Dias avisou que o PRS "não concorda" com a sugestão avançada pelo Governo em como as eleições poderiam ter lugar no dia 14 de maio de 2023, isto, disse, sem que houvesse um encontro prévio do chefe de Estado com os partidos políticos.

O dirigente do PRS observou que quer eleições legislativas "num período mais curto" para "salvar o país e salvar a economia nacional" e assim criar as condições para que a Guiné-Bissau volte a ter apoios da comunidade internacional, frisou.

"Nenhum país do mundo sem parlamento é financiado, porque nota-se que há uma falta de democracia e de um poder de fiscalização. Estamos interessados, nós do PRS, em ver o país a marchar. Nunca vamos estar de acordo em ficar com o país durante mais de um ano sem organização de eleições", concluiu Fernando Dias.

O Presidente guineense dissolveu a Assembleia Nacional Popular em maio e marcou eleições legislativas para 18 de dezembro.

O Governo, através da reunião do Conselho de Ministros, informou, no final de outubro, o Presidente guineense da impossibilidade de realizar eleições na data prevista, propondo o seu adiamento para data posterior a 13 de maio para que a campanha eleitoral decorra fora do período do Ramadão.

 

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