PS Toronto é a favor das alterações ao voto da emigração, PSD condena
Toronto, Canadá, 18 Set (Lusa) - A proposta de alteração da lei eleitoral do Partido Socialista em debate na Assembleia da República, que determina o fim do voto por correspondência, é bem acolhida pelo PS de Toronto, mas severamente criticada por militantes do PSD.
Em comunicado enviado à Agência Lusa, o Partido Socialista de Toronto/Ontário, no Canadá, afirma que o projecto do PS, que irá a votação no plenário da Assembleia da República na sexta-feira, é "uma forma de garantir a verdade democrática, a transparência e o rigor nos actos eleitorais, tal como já acontece para a eleição do Presidente da República onde o voto por correio não existe".
"O PS Toronto está totalmente de acordo com estas alterações propostas, de forma a que o acto de votar seja o mais democrático e fiel à verdade democrática. Defendemos sempre e sem qualquer hesitação que haja liberdade de expressão, verdade democrática e sobretudo transparência", indica o documento subscrito por Joel Filipe, presidente da estrutura.
"O voto deve ser feito fisicamente com as pessoas a apresentarem-se às urnas para votar", preconizou, em declarações à Agência Lusa, Joel Filipe, que é também militante socialista em Portugal.
Nas últimas eleições para o Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP) no Canadá, cuja realização foi restringida aos postos consulares portugueses, as votações das comunidades de Kitchener e London acabaram por não se reflectir nos resultados finais porque muitas pessoas não se deslocaram centenas de quilómetros, até Toronto, para votar.
Perante este cenário, o líder socialista de Toronto concordou que a obrigatoriedade do voto presencial "poderá prejudicar a votação em todos os partidos", mas reiterou ainda assim que este é o modelo preferível.
Face a dificuldades financeiras, o PS Toronto fechou a sede que possuía numa das ruas bem portuguesas da cidade, passando a concentrar as actividades na morada pessoal do presidente.
Segundo Joel Filipe, o PS que contava com 150 militantes e simpatizantes em Toronto, quando se realizaram as legislativas portuguesas de 2005, vê agora o número de partidários reduzir-se a cerca de 70.
Um militante do PSD em Toronto, contactado pela Agência Lusa, condenou a proposta do PS, que pretende pôr fim ao voto por correspondência nos países onde existem comunidades emigrantes.
Num comentário feito a pedido da Lusa, Laurentino Esteves, militante do PSD em Toronto e conselheiro da comunidade em final de mandato, sublinhou que as alterações propostas no Parlamento português são "uma birra antiga do PS e são mais um bloqueio a que o emigrante vote".
Para este social-democrata, "o PS não está interessado em que a emigração vote porque sabe que o voto [dos círculos eleitorais] Fora da Europa são maioritariamente PSD".
No caso da votação das comunidades emigrantes em eleições deveria "facilitar-se e avançar com o voto electrónico", defendeu ainda.
EF.
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