Puigdemont: "Isto terminou. Fomos sacrificados pelos nossos"
Uma televisão espanhola divulgou esta quarta-feira várias mensagens enviadas por Carles Puigdemont a Toni Comín, antigo elemento do seu governo, onde se dá por derrotado. "Isto terminou. Fomos sacrificados pelos nossos", lê-se nas mensagens agora divulgadas. Puigdemont reconhece que são verdadeiras e explica o desabafo: "Sou humano e às vezes também duvido".
Segundo a televisão espanhola estas mensagens foram enviadas na terça-feira ao ex-conselheiro, que também se encontra exilado na Bélgica, tal como o próprio Puigdemont. As mensagens chegaram depois de o novo presidente do Parlamento da Catalunha ter adiado para data indeterminada a tomada de posse de Carles Puigdemont como presidente do Governo regional da Catalunha.
A televisão captou as imagens diretamente do telemóvel do próprio Comín por um fotógrafo, que se situou atrás do ex-conselheiro enquanto este recebia as mensagens. O jornal El País revela que estas mensagens foram recebidas ao mesmo tempo que Carles Puigdemont fazia publicar nas redes sociais um vídeo onde pedia unidade aos catalães e onde insistia ser o único candidato à liderança da Generalitat.
"O plano de Moncloa triunfa, só espero que seja verdade e que, graças a isso, eles possam sair da prisão", pode ler-se nas mensagens divulgadas, numa alegada referência aos antigos membros do governo de Puigdemont que se encontram em prisão preventiva.
O ex-presidente da Generalitat disse ainda que foi "sacrificado pelos seus", numa referência às palavras de Joan Tardá, da Esquerda Republicana (ERC), que considerou ontem que talvez o Juntos Pela Catalunha (JxCat), o partido de Puigdemont, devesse "sacrificar" o seu candidato.
Sóc periodista i sempre he entès que hi ha límits, com la privacitat, que mai s’han de violar. Sóc humà i hi ha moments que també jo dubto. També sóc el President i no m’arronsaré ni em faré enrere, per respecte, agraïment i compromís amb els ciutadans i el país. Seguim!
— Carles Puigdemont 🎗 (@KRLS) 31 de janeiro de 2018
Carles Puigdemont reagiu à divulgação das mensagens no Twitter. "Sou jornalista e sempre entendi que há limites, como na privacidade, que nunca devem ser violados. Sou humano e às vezes também duvido. Também sou o presidente e não vou desmoronar ou deixarei para trás por respeito, gratidão e compromisso com os cidadãos e o país. Continuamos!"
Também Toni Comín reagiu à divulgação de mensagens, sublinhando que a "revelação de segredos (...) é crime na Espanha e na Bélgica" e que merece "ações legais pertinentes". Refere também que "qualquer mensagem que não esteja no seu contexto perde sempre o seu significado".
1. La revelació de secrets (obtenir subreptíciament les converses de tercers) és delicte a Espanya i a Bèlgica, mereixedor per tant de les pertinents accions legals. A banda que qualsevol missatge tret del seu context perd sempre el seu significat.
— Toni Comín (@toni_comin) 31 de janeiro de 2018
Também Inés Arrimadas, líder do Ciudadanos na Catalunha, reagiu às mensagens de Puigdemont: "O que dizem em privado nada tem a ver com o que dizem em público. Todos sabemos que eles seguem com esta farsa há vários meses. É hora de dizerem a verdade a toda a gente".
Os socialistas da Catalunha, na voz de Miquel Iceta, consideram que "as mensagens refletem que Puigdemont escreveu o que pensa e que começa a dar-se conta da realidade. Vamos agora esperar que Puigdemont renuncie a ser presidente".