Putin apoia candidatura de Dimitri Medvedev para a presidência
Moscovo, 10 Dez (Lusa) - O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, apoiou hoje a candidatura de Dmitri Medvedev, primeiro-vice-primeiro-ministro do governo russo, à presidência russa nas eleições de 2008.
O dirigente russo revelou o nome do sucessor no Kremlin e do político em quem confia para continuar a realização da sua política económica, social, internacional.
A candidatura de Medvedev foi avançada pelos dirigentes dos partidos Rússia Unida, Rússia Justa, Partido Agrário e Força Cívica num encontro com Putin.
"No que respeita à candidatura de Dmitri Anatolievitch Medvedev, conheço-o de muito perto há mais de 17 anos. Apoio completa e totalmente a proposta", disse Putin.
Esta decisão não foi completamente inesperada para os políticos e analistas russos, visto que Dmitri Medvedev se encontrava em todas as listas de prováveis sucessores de Putin, no primeiro ou segundo lugar.
Dmitri Anatolevitch Medvedev nasceu a 14 de Setembro de 1965 em Lenigrado (actualmente São Petersburgo), terra natal de Putin.
Em 1987, terminou a Faculdade de Direito da Universidade Estatal de São Petersburgo e, três anos depois, defendeu aí a tese de mestrado. É especialista em Direito Civil.
Entre 1990 e 1997, Medvedev leccionou na Faculdade de Direito da Universidade de Moscovo.
Paralelamente, foi conselheiro do Presidente da Câmara Municipal de São Petersburgo e perito do Comité para Relações Internacionais dessa câmara, órgão dirigido por Vladimir Putin.
Medvedev passa a fazer parte do "círculo restrito" do futuro dirigente russo depois de lhe ter prestado um serviço de valor incalculável como advogado.
De acordo com a revista Profil, um grupo de deputados da Assembleia Municipal de Leninegrado acusou Putin de ter concedido licenças de exportação de matérias-primas e metais não ferrosos a troco do fornecimento de produtos alimentares, que naquela altura escasseavam no país.
Porém, os produtos acabaram por não chegar e só a mestria de Medvedev como advogado salvou Putin das barras do tribunal.
Em 1999, o actual dirigente russo, então primeiro-ministro, foi chamado a Moscovo, onde ocupa o cargo de dirigente do Aparelho do Governo da Federação da Rússia.
Quando Putin substituiu Boris Ieltsin no Kremlin, nos finais de 1999, Medvedev foi nomeado vice-chefe da Administração do Presidente da Rússia.
Desde 2000 e até ao presente, Medvedev preside ao Conselho de Directores da Gazprom, a maior empresa pública do país.
Em 2003, foi nomeado dirigente da Administração Presidencial da Rússia mas, dois anos depois, passou para o governo russo, onde passa a dirigir a pasta de primeiro-vice-primeiro-ministro, encarregado do controlo da realização dos chamados "programas nacionais", programas de grande envergadura no campo social.
O deputado liberal Vladimir Rijkov comentou a escolha, que afirmou tratar-se "sem dúvida (de uma) figura de compromisso".
"Medvedev deixa as mãos livres de Putin: se ele renunciar ao poder, ser-lhe-á garantido conforto e segurança, mas se decidir regressar através de eleições antecipadas, sem dúvida que Medvedev lhe cederá o cargo", considerou.
"O lugar que Putin irá ocupar já não tem qualquer importância, o principal é a lealdade pessoal de Dmitri Medvedev em relação ao actual Presidente", concluiu o deputado.