Putin impedido de visitar Muro das Lamentações
Motivos de segurança impediram hoje o Presidente russo, Vladimir Putin, de visitar o Muro das Lamentações, em Jerusalém, local de paragem habitual nas deslocações de chefes de Estado a Israel.
Segundo informação oficial, Putin pretendia, depois de visitar o Templo de Deus e a missão ortodoxa russa em Jerusalém, deslocar-se ao Muro das Lamentações, mas só pôde vê-lo à distância, a partir de um miradouro, porque os serviços da segurança israelitas pediram-lhe que não o fizesse, por não poderem garantir a sua segurança.
Um outro motivo é avançado pela emissora russa Eco de Moscovo que, citando fontes da comitiva de Putin, referiu que o Presidente não pôde visitar o Muro sagrado por não querer envergar o "kippah", indispensável para quem se aproxima do local.
Entretanto, segundo a imprensa russa, Vladimir Putin vai pedir às autoridades de Israel a extradição de oligarcas russos com cidadania israelita - nomeadamente Leonid Nevzlin, Vladimir Dubov e Mikhail Brudno - procurados pela justiça moscovita, alegadamente por envolvimento em homicídios e fraudes fiscais.
Alguns comentadores defendem que o Presidente tenciona relacionar a questão da extradição com os planos russos de venda de instalações de mísseis à Síria, bem como ao fornecimento de novo tipo de armas à Palestina.
Esses contratos preocupam o governo de Ariel Sharon que, contudo, exclui a possibilidade de extraditar cidadãos de Israel para qualquer país, segundo Telavive.
Os palestinianos pretendem comprar dois helicópteros MI-17 e 50 carros de transporte de pessoal BRDM-2, no quadro da luta contra o terrorismo.
Na óptica de Israel, contudo, as forças de segurança palestinianas, antes de receberem novas armas, deveriam demonstrar a eficácia das medidas anti-terroristas.
Israel opõe-se também à venda de mísseis russos à Síria, tendo acusado Damasco de prestar apoio a terroristas iraquianos e ao grupo libanês Hezbollah.
Dias antes da viagem a Israel, Vladimir Putin propôs a realização de uma conferência cimeira, em Moscovo, para encontrar uma solução para o problema do Médio Oriente.
Uma conferência do género poderá ser realizada futuramente, em conformidade com o "Roteiro" de paz existente. Mas antes, há ainda muito por fazer, referiu o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros israelita, Mark Regeva.
"Poderíamos, de igual forma, propor à Rússia a realização, em Jerusalém, de uma conferência para a solução da questão da Tchetchénia", afirmou ironicamente à agência noticiosa Cursor fonte próxima do primeiro-ministro israelita, Ariel Sharon.
Os palestinianos, pelo contrário, apoiam a ideia de Putin sobre a conferência.
A questão dos vistos e de troca de emigrantes entre a Rússia e Israel faz ainda parte da agenda de Vladimir Putin em Israel, país onde a comunidade russa continua a crescer.