Putin ordenou em 2014 que avião de passageiros fosse abatido

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O Presidente russo e candidato a novo mandato Vladimir Putin terá ordenado que um avião comercial com 110 passageiros a bordo fosse abatido por alegadamente transportar uma bomba. O incidente aconteceu em 2014, pouco antes da cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi, e foi revelado num documentário de duas horas sobre Putin, que lança nova candidatura à Presidência.

“Putin” é o título do documentário de duas horas no qual o moderno czar da Rússia se apresenta a novo mandato nas eleições de 18 de março – Vladimir Putin está no poder há duas décadas – procurando reforçar entre os eleitores russos as facetas de líder querido e homem de ação, apesar de já colher um índice de aprovação de 80 por cento.Putin enfrenta sete oponentes nestas presidenciais, mas todos eles longe dos 80% de apoio que lhe são apontados. O principal líder da oposição, Alexei Navalny, foi riscado da eleição.

Entre a força e a graça. É neste panegírico cinematográfico que são revelados vários aspectos da sua vida – como o facto de o avô paterno ter cozinhado para Lenine e Estaline – e esse episódio de 7 de fevereiro de 2014 que teria posto à prova a sua liderança: um avião civil carregando uma bomba tinha descolado da Ucrânia e dirigia-se para o estádio de Sochi onde 40 mil pessoas aguardavam pela cerimónia de abertura dos Jogos de Inverno. Foi nesse momento que Putin recebeu um telefonema.

“Disseram-me: foi sequestrado um avião que ia da Ucrânia [de Kharkiv] para Istambul [na Turquia], os piratas do ar exigem aterrar em Sochi”, afirma Vladimir Putin numa entrevista, que integra o filme, ao jornalista Andrey Kondrashov, estrela da televisão russa e agora seu assessor de imprensa na campanha eleitoral.

Os pilotos do Boeing 737-80 da Turkish Pegasus Airlines Boeing 737-800, com 110 pessoas a bordo, disseram que um passageiro tinha uma bomba e lhes ordenou para desviarem o avião para Sochi, acrescenta Kondrashov.Bomba era falso alarme.O passageiro que dizia ter uma bomba estava embriagado e o avião acabou por seguir para Istambul, na Turquia.


Explicando que os membros da segurança lhe transmitiram que numa situação daquelas os procedimentos de emergência implicavam abater o avião, Putin revela ter dado a ordem: “Eu disse-lhes: prossigam de acordo com o plano”.

Esta ordem seria abortada nos minutos seguintes, depois de Vladimir Putin receber novo telefonema a informar que se tratava de falso alarme, conta o Presidente, para acrescentar que chegou pouco depois à cerimónia de Sochi.

O episódio foi confirmado este domingo pelo porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, de acordo com a agência Reuters.
Este é um dos episódios que marca o documentário “Putin”, cuja primeira parte foi colocada online por contas pró-Kremlin.
Mão-de-ferro
A ordem para abater um avião com passageiros não constitui uma surpresa no manual de procedimentos de Vladimir Putin se tivermos em conta a sua biografia à frente do Kremlin.

Em Outubro de 2002, durante uma tomada de reféns no Teatro Dubrovka, em Moscovo, por separatistas tchetchenos, após dois dias de sequestro de mais de 850 pessoas, Putin ordenou a entrada das forças especiais, depois de usar o sistema de ventilação para encher o edifício com o que se pensa ser fentanil, um opiáceo muito potente.

Quando as Spetsnaz entraram na sala de espectáculos, os sequestradores estavam inconscientes ou mortos assim como grande parte dos espectadores, sentados nas cadeiras, sem indícios de reacção ao fentanil. O balanço oficial diz que morreram 39 rebeldes tchetchenos e 129 reféns - algumas estimativas apontam para a morte de 200 reféns.

Dois anos depois, Setembro, era a abertura do ano lectivo na escola de Beslan, na Ossétia do Norte, um outro grupo de tchetchenos tomou o edifício cheio de crianças que se apresentavam para o primeiro dia de aulas. Foram feitos mais de 2000 reféns, crianças e adultos.

Os reféns foram mantidos na ponta das armas por três dias e a escola foi armadilhada com explosivos. A 3 de setembro, Putin ordena a entrada no edifício das forças especiais. Os rebeldes terão feito explodir a estrutura. Morreram 334 civis, 186 das vítimas eram crianças.

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