Última Hora
Cristiano Ronaldo volta a falhar treino da seleção nacional após conferência de imprensa de Jorge Jesus

Putin pede ao Parlamento russo que aprove novo orçamento de guerra

Putin pede ao Parlamento russo que aprove novo orçamento de guerra

O presidente russo, Vladimir Putin, apelou esta quarta-feira à vitória na Ucrânia ao pedir à Câmara de Deputados (Duma) para aprovar o novo orçamento de guerra para os próximos três anos.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Sputnik/Alexander Kazakov/Pool via Reuters

"Vós sois chamados a prestar especial atenção a questões de importância estatal, como o reforço da defesa do país, e a fazer tudo pela nossa vitória, apoiando os defensores da pátria e as suas famílias", declarou Putin, na tribuna da câmara baixa do parlamento russo.

O chefe de Estado russo, que raramente vai à Duma -- a última vez foi em 2020 -- abriu a nona legislatura, onde o partido do Kremlin, no mais puro estilo do Partido Comunista da União Soviética, controla 349 dos 450 lugares, embora a oposição e especialistas independentes considerem que o parlamento não tem legitimidade devido às muitas irregularidades detetadas nas recentes eleições.

De acordo com fugas de informação para a imprensa independente e internacional, o Governo russo vai mais uma vez aumentar os gastos com defesa no próximo triénio, para 50 biliões de rublos (cerca de 529 mil milhões de euros).

Se o projeto de orçamento receber o apoio da Duma, a Rússia gastará, só no próximo ano, 17,1 biliões de rublos (mais de 176 mil milhões de euros), mais 27% que o inicialmente previsto: 13,5 biliões de rublos (cerca de 140 mil milhões de euros).

E embora seja mais de um terço superior ao previsto para 2026 (12,1 biliões de rublos ou 127,6 mil milhões de euros), os especialistas garantem que a despesa ultrapassará largamente este valor no segundo semestre do ano.

Seja como for, no papel é o valor mais elevado desde o início da guerra, em fevereiro de 2022, em que a Rússia gastou em cada exercício na defesa cerca de 40% do orçamento do Estado.

Como consequência, diminuirá o investimento na saúde e na educação, mas também na construção de estradas e infraestruturas, bem como os subsídios para o setor agrícola.

Além disso, com o objetivo de reduzir o défice público --- para 3,2% em 2026, o dobro do previsto ---, o Governo já propôs aumentar os impostos, uma medida impopular apresentada logo após as eleições.

Depois de dar as boas-vindas aos deputados veteranos de guerra --- cerca de 10% do total --- e aos eleitos pela primeira vez nas quatro regiões ucranianas anexadas, Putin concentrou o seu discurso na Duma no orçamento do Estado para o quinto ano de guerra.

"O importante é não cometer erros. Os erros, sobretudo agora, são absolutamente inaceitáveis", sublinhou, acrescentando que a Rússia "não vai fazer como outros" --- referindo-se à Ucrânia --- e sair pelo mundo "a mendigar", o que considerou "humilhante".

"Em segundo lugar, ninguém nos dará nada, sabemos bem disso. E em terceiro lugar, e mais importante, não precisamos disso", afirmou.

Na sua opinião, o orçamento do Estado para 2027 deve ser "realista e equilibrado" e manter a estabilidade macroeconómica, garantia para que todos os programas sociais possam ser cumpridos.

Apesar de se ter mostrado favorável à retomada das negociações de paz após a recente visita dos enviados da Casa Branca a Moscovo e a Kiev, Putin mudou de ideias depois do maior ataque ucraniano a Moscovo, a 20 de setembro, em pleno período eleitoral.

Desde então, Moscovo lançou uma campanha ininterrupta de bombardeamentos a Kiev, e tudo indica que a guerra prosseguirá e completará o seu quinto aniversário em fevereiro próximo, uma vez que o Exército russo apenas obteve avanços marginais no Donbass, no leste do território ucraniano, onde sofreu nas últimas semanas duros reveses em Donetsk.

Tópicos
PUB