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Pyongyang dispara segundo míssil balístico em dois dias

Pyongyang dispara segundo míssil balístico em dois dias

A Coreia do Norte disparou esta sexta-feira um "míssil balístico não identificado", pela segunda vez em dois dias, adiantou o exército sul-coreano.

Cristina Sambado - RTP /
O lançamento de mísseis por parte da Coreia do Norte acontece a um ritmo inesperado Heo Ran - Reuters

Em comunicado, o Ministério disse que Pyongyang “lançou um míssil balístico do tipo ICBM de uma posição perto da costa oeste da Península Coreana aproximadamente às 10h14” (1h14 em Lisboa).

O primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, descreveu o lançamento como "absolutamente inaceitável", confirmando que o míssil caiu em águas dentro da ZEE do Japão, a 210 quilómetros da ilha de Hokkaido (norte), sem aparentemente ter causado quaisquer danos a navios ou aviões.
O projétil atingiu uma altitude de 6.100 quilómetros, uma trajetória elevada e viajou mil quilómetros, atingindo uma velocidade de Mach 22, revelou o exército da Coreia do Sul.

A guarda costeira japonesa pediu aos navios que estivessem a cruzar a área para não se aproximarem de qualquer destroço que possa estar a flutuar no mar.

“A Coreia do Norte tem disparado repetidamente mísseis este ano com uma frequência sem precedentes e está a aumentar significativamente as tensões na península coreana”, disse o ministro da Defesa japonês, Yasukazu Hamada, aos jornalistas.

Segundo Hamada e "com base em cálculos que têm em conta a trajetória, o míssil balístico poderá ter tido um alcance de 15 mil quilómetros, dependendo do peso da sua ogiva, isso significa que o continente americano estava dentro do seu alcance".

Também o Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul disse num comunicado que o lançamento provavelmente envolveu um míssil balístico intercontinental.
O gabinete presidencial da Coreia do Sul convocou uma reunião de segurança de emergência para discutir o lançamento norte-coreano.

Se confirmado, seria o primeiro lançamento de um míssil ICBM por parte da Coreia do Norte num período de duas semanas.


Já na quinta-feira o regime de Kim Jong-un tinha disparado um míssil balístico em direção ao mar do Japão.
EUA, Japão e Coreia do Sul já condenaram
"Naturalmente, apresentámos um forte protesto contra a Coreia do Norte, que repetiu as suas provocações com uma frequência sem precedentes", afirmou o primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, aos jornalistas na Tailândia onde está a participar na cimeira de Cooperação Económica Ásia – Pacífico (APEC).

Kishida acrescentou que Tóquio, Washington e Seul “devem coordenar-se para uma desnuclearização completa da Coreia do Norte”.

Já a vice-presidente dos EUA, Kamala Harris, reuniu-se com os líderes regionais, à margem da APEC, para discutir o lançamento de mais um míssil norte-coreano.


Kamala Harris considera que a atitude da Coreia do Norte desestabilizou a região e levanta tensões.

“Pedi a este grupo de aliados e parceiros para se juntarem a nós na condenação do lançamento de mísseis balísticos de longo alcance da Coreia do Norte. Esta conduta de Pyongyang constituí, mais recentemente, uma violação descarada das múltiplas resoluções do Conselho de Segurança da ONU. Desestabiliza a segurança na região e aumenta desnecessariamente as tensões”, afirmou a vice-presidente dos EUA.

Também os primeiros-ministros da Austrália e do Canadá se juntaram à condenação do lançamento. Anthony Albanese afirmou que a Austrália estava pronta a fazer parte de uma resposta global, enquanto Justin Trudeau disse que o teste era uma clara violação das resoluções da ONU.

O lançamento desta sexta-feira aconteceu depois da reunião, no domingo, entre os presidentes dos Estados Unidos, da Coreia do Sul com primeiro-ministro japonês no Camboja, onde os três países concordaram em aumentar a cooperação militar.


Na declaração conjunta, os três líderes condenaram veementemente os recentes testes da Coreia do Norte. Com Biden a reafirmar o compromisso dos EUA de defender a Coreia do Sul e o Japão com uma gama completa de capacidades, incluindo armas nucleares.

Esta sexta-feira, o porta-voz do Conselho de Segurança dos Estados Unidos afirmou que Biden já tinha sido informado deste novo lançamento de Pyongyang e que Washington vai consultar os parceiros.Cinquenta mísseis em dois meses
Nos últimos dois meses a Coreia do Norte disparou mais de 50 mísseis, a maioria dos quais de curto alcance. Os lançamentos de longo alcance são raros e representam uma ameaça direta aos EUA, uma vez que foram concebidos para transportar ogivas nucleares para qualquer ponto do território norte-americano.

A Coreia do Norte tem dois tipos de ICBM – Hwasong-14 e Hwasong-15 – e os testes de lançamento feitos em 2017 provaram que eles poderiam alcançar partes do território dos Estados Unidos.

O padrão da Coreia do Norte, nos últimos meses tem sido o lançamento de mísseis em resposta à atividade militar dos EUA em torno da Península Coreana.

Pyongyang está atualmente a desenvolver um novo míssil de longo alcance, o Hwasong-17. É maior que os ICBM que foram testados com sucesso no passado, e os especialistas acreditam que poderá ser capaz de transportar ogivas múltiplas.

Segundo os militares sul-coreanos, várias tentativas de lançamento do Hwasong-17 falharam. E no início de novembro, a Coreia do Norte lançou um ICBM que falhou a meio do voo.

“Mesmo que Pyongyang lance com sucesso o Hwasong-17, a ameaça não terá aumentado significativamente”, afirmou à BBC, Yang Uk, um perito militar do Instituto Asan.

A Coreia do Norte realizou seis testes nucleares entre 2006 e 2017, e concluiu os preparativos para um sétimo teste.

Os peritos acreditam que poderá aproveitar a oportunidade para testar um dispositivo nuclear compacto. Pyongyang está também a trabalhar para melhorar os mísseis de curto alcance e as suas capacidades militares convencionais.
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