Quarenta universidades francesas afectadas pela contestação estudantil

Pelo menos 40 universidades francesas, entre as quais a prestigiada Sorbonne em Paris, foram hoje afectadas por greves ou bloqueios estudantis em protesto contra o novo contrato de trabalho para os jovens, disseram fontes sindicais.

Agência LUSA /

O Ministério da Educação francês indicou quinta-feira à noite que 11 universidades estavam "em greve" e outras 20 registavam "perturbações parciais". Hoje de manhã não foram divulgados dados.

Em Paris, frente à Sorbonne, alguns confrontos ocorreram durante a noite. Na quinta-feira à tarde, o reitor decidiu fechar a universidade para evitar incidentes.

Em Lille (norte), o presidente da faculdade de direito decidiu fechar as instalações na sequência de "confrontos".

Em Clermont-Ferrand (centro), o bloqueio estudantil continuava com piquetes de greve e barreiras nos acessos às faculdades de ciências, letras e línguas.

Em Lyon (centro-leste), um anfiteatro estava ocupado por várias dezenas de estudantes, reunidos em assembleia-geral.

O conflito foi desencadeado pelo novo contrato de trabalho para menores de 26 anos e que permite aos empregadores despedir sem justificação durante um período de dois anos, contrariamente ao que diz o código de trabalho.

A lei do Primeiro Contrato de Trabalho (CPE) foi aprovada quinta-feira pelo Parlamento e o primeiro-ministro francês, Dominique de Villepin, mostrou-se inflexível ao afirmar que entraria em vigor "nas próximas semanas".

Os sindicatos de trabalhadores e estudantes lançaram um apelo para um dia de protestos, na próxima sexta-feira, com manifestações previstas em todo o país.

Os opositores do novo contrato acusam o primeiro-ministro de reforçar a precariedade entre os jovens assalariados.

Em Fevereiro, uma primeira jornada de mobilização contra a lei colocou nas ruas entre 200.000 a 400.000 manifestantes, o que não correspondeu às expectativas dos sindicatos mas atingiu a popularidade do primeiro-ministro.

Segundo as últimas sondagens, cerca de 60 por cento dos franceses são contra o CPE.


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